Fonte: gilsoncamargo.com.br/blog http://www.arte.seed.pr.gov.br/modules/galeria/detalhe.php?foto=20&evento=1

Oswaldo Nascimento

Desde a primeira luz da madrugada,
depois de um saboroso chimarrão
vai, descalço, o caboclo, pela geada
Que atapeta os caminhos do sertão

No embornal, o virado com torresmos
Garante-lhe o repasto, ao meio dia.
Seus costumes nativos são os mesmos
Que nos avoengos solarões existia.

Chega por fim ao coração do erval
Escala um tronco, arranca o “paraguai”
E vai juncando o solo do ramal
Cheiroso e verde que estraleja e cai

Depois vai amontoando a guaçatunga
Ateia a grimpa ao centro da caieira
e um cantochão, como ritual, resmunga
afugentando os monstros da lombeira!

A labareda em fogaréu se eleva
Pipoqueando fagulhas; o caipira
Enquanto na cuia o chimarrão ceva,
Ajeita a bomba e um largo sorvo tira

Estaqueia, a seguir, o solo fofo;
No chão estende as tiras de taquara
Volta a cuia tratada e tira o mofo
Do mate verde que jamais o enfara.

O amargo é bom, mas a fogueira estala
Ao sapeco das ramas convidando.
Da erva tostada o cheiro bom se exala
E os feixes vão aos poucos se formando.

Pesa-se, após, a quebra sapecada
que a carrocinha leva ao barbaquá.
No carijo é a secagem preparada
Do” ouro verde” que alenta o Paraná.

No ambiente emfumarado, imenso é o odor
Da folhagem que a furna está secando.
Sobre a cancha furada, o malhador
Vais as ramas secas triturando.

A peneira mecânica separa
A folha quebradiça… o pau… o pó.
O ervateiro não pára
Nem um instante só!

Não descansa senão quando, na choça amiga
A noite junto aos seus rodeia o fogo ao chão
e na viola ponteia uma tirana antiga,
Ou narra aos curumins as lendas do sertão!

Depois estende ao pé do fogo a rude esteira
Sobre a esteira do colchão de palha ou de capim
Para sonhar feliz até a derradeira
Estrela desmaiar sob a amplidão sem fim!

Poema publicado na Antologia do Vale do Iguaçu, de Francisco Filipack e Nelson Antônio Sicuro.

Transcrito conforme está na obra do autor.

Acervo Casa da Memória Padre Bauer

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