(Imagem Ilustrativa)

Alguns dicionários definem o saudosismo como a tendência, o gosto fundado na valorização demasiada do passado. Então, quando acumulamos muitos aniversários em nossas vidas, tendemos ao saudosismo. É difícil convencer as gerações mais jovens de que existia um biscoito de leite da São Luiz que era uma delícia, que mudou de sabor depois que a Nestlé comprou a fábrica e abandonou a marca. Depois o biscoito desapareceu no início dos anos 2000. Também de que o bombom Prestígio realmente tinha gosto de coco natural e menos açúcar. Muitos nunca vão saber o que é desafiar a sede até não aguentar mais e depois beber um Minuano Limão, ou experimentar um Cornetto fabricado pela Gelato, pensando na propaganda com O Sole Mio ao fundo.

O mundo capitalista tem dessas coisas, o bom serviço ou a qualidade dos produtos nem sempre é valorizada e o que importa é o menor custo para vencer a concorrência ou a menor vida útil dos bens para continuar gerando necessidades e dependência. As regras econômicas, apesar do controle e dos altos custos de manutenção dos órgãos reguladores não protegem os consumidores, nem os trabalhadores. Empresas que geram empregos e formam bons paradigmas de qualidade são engolidas por transnacionais que levam o lucro para bem longe daqui. Ainda acho que o modelo capitalista é o mais adequado, mas precisa ser modificado para que gere benefícios para a sociedade, principalmente oportunidades para os menos favorecidos.

Fiquei pensando nisso, quando num fim de semana desses passei pelo Aeroporto Salgado Filho em Porto Alegre. Uma das cafeterias do aeroporto usou em sua decoração objetos e informações da extinta Varig.
A Varig operou nos céus brasileiros e do mundo por quase 80 anos, até julho de 2006. Foi uma das maiores empresas de aviação do planeta, comparada a americana Pan Am. A companhia, fundada em Porto Alegre foi sinônimo de crescimento e de qualidade no atendimento. Assim eram niveladas as companhias aéreas naquela época. Era este o nível de qualidade e de prosperidade que países e suas sociedades miravam.

Lembro-me da minha primeira viagem à Porto Alegre, no final dos anos 1980. O que hoje é o desleixado Terminal 2 do Aeroporto Salgado Filho era uma instalação bem cuidada e frequentada por passageiros, tripulantes e trabalhadores do aeroporto. Todos vestidos elegantemente. Todos os atendentes eram educados, não só nos balcões das companhias aéreas, mas nas lanchonetes e outras lojas de conveniência.

Pouco herdamos dessa época. O que restou foram os altos preços das taxas de embarque e os custos exorbitantes de um simples cafezinho ou de um pão de queijo, quase sempre mal preparados.

Se no passado fazíamos melhor, por que não buscar antigas receitas? O mundo passa por ciclos, épocas de vacas gordas, outras de fome e dificuldades. Políticas governamentais malsucedidas acabaram com empresas, sinônimos de excelência e de vanguarda como a Varig, RFFSA, Estrela e acredito fará o mesmo com a Petrobras, o Banco do Brasil, a Embraer e os Correios.

Quanto mais poder de compra tiver a população, mais forte será a nossa economia. As empresas não precisam de clientes miseráveis. O Governo precisa de arrecadação baseada na renda, não no sacrifício. Com certeza, é mais fácil administrar uma sociedade próspera. Então, porque não retomamos este caminho?

Adnelson Borges de Campos
Últimos posts por Adnelson Borges de Campos (exibir todos)

Comentários

Compartilhe:


MATÉRIAS RELACIONADAS
Lógica
Um simples osso cicatrizado
A duradoura crise de confiança