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Schramm deixa um importante legado para a história local

Foto: Arquivo da família/Reprodução livro São Mateus do Sul 100 Anos

Foto: Arquivo da família/Reprodução livro São Mateus do Sul 100 Anos

No final dos anos 70 São Mateus do Sul poderia ser comparada com Macondo, cidade fictícia, onde vivem pessoas surreais. Nessa comparação podemos dizer que uma dessas pessoas, sem sobra de dúvidas, é o Dr. Edison Carlos Schramm. Um visionário de imensa inteligência e amante da cultura. Que além do seu grande legado também deixa muitas saudades no coração de muitos de nós, são-mateuenses. Ele sempre foi uma pessoa hospitaleira, muito agradável com todos que o visitavam. Era rotina ele ofertar almoço para muitas pessoas que vinham de carroça do interior para a sede do município para resolver suas questões no cartório, que em geral eram os registros de nascimento, casamentos, vendas ou compra de terrenos e os registros óbitos. Portanto na maioria de nossas histórias pessoais tem a mão do Dr. Edison Schramm. Eu ainda me recordo que nas refeições na casa do Dr. Edison que o destaque era uma porção deliciosa de pepino azedo, receita de família. Uma pessoa maravilhosa que deixa muitas saudades e um grande legado.

Edison Carlos Schramm nasceu em São Mateus do Sul, no dia primeiro de fevereiro de 1932. Ano que chegava em São Mateus do Sul o jovem e ambicioso Roberto Angewitz, o famoso “Perna de Pau”. Edison Carlos Schramm era filho de Alberto Schramm e Maria Samsonowski Schramm. Quando criança vivia perambulando pelo cartório onde seu pai era escrivão e sempre curioso nas comidas “polacas” feitas por sua mãe Maria. Após chegar da antiga Escola São Mateus, ele iria com seu pai pescar lambaris no rio Iguaçu. Ajudava a limpar os peixes e o principal, se deliciava com a fritada de lambari, bem torrado, feito pela sua mãe. Ele contava que ainda quando criança via o “Perna de Pau” quebrar as pedras do xisto betuminoso para a extração da gasolina.

Aos 12 anos de idade, Edison foi enviado pelo seu pai para morar e estudar num dos mais renomados ginásios do país, o Colégio Marista de Curitiba. Nos bancos escolares do Colégio Marista Paranaense estudaram personalidades como Jânio Quadros, Ney Braga, Bento Munhoz da Rocha Neto, Newton Sampaio e João Cândido Ferreira. Cursou o Científico no Colégio Partenon que era localizado na rua Comendador Araújo, em 1958 deu lugar aos cursos preparatórios para o Colégio Militar Tuiuti, hoje Universidade Tuiuti do Paraná.

Nos anos 50 ingressou no Curso de Direito das Faculdades Curitiba, se formando no ano de 1958. E voltando para a sua terra natal para atuar como advogado, sendo o primeiro nascido na cidade. Um ano após o seu retorno, com 27 anos de idade, ingressa na política registrando a candidatura para vereador e sendo eleito como o vereador mais votado, maior número de votos adquiridos até então em São Mateus do Sul. O Dr. Edison foi reeleito vereador por mais dois mandatos e em 1973 foi eleito prefeito com expressiva votação.

Como vereador e prefeito seu legado para São Mateus dou Sul foi imenso. Ele quem criou os projetos de leis que oficializaram a bandeira do município, a música do hino são-mateuense cuja letra belíssima foi escrita por Arnoldo Prohmann e musicado por José Schen. No seu segundo mandato, mediou um dos mais importantes legados para a cidade, a região e para o estado: a vinda da Petrobras para a exploração do xisto. Preservando o legado do “Perna de Pau” e trazendo o progresso para a região. E até hoje o centro de pesquisa da Petrobras, com o xisto betuminoso, é referência mundial na área. Além da vinda da Petrobras, vieram junto muitos eventos culturais patrocinados pela empresa.

Como prefeito sua posse foi histórica, pois por muito tempo ainda era relatado o dia da posse com grande aclamação popular, sendo ele conduzido para a sede da prefeitura municipal encima de uma carroça. Entre suas preocupações estavam a educação e logo que tomou posse comprou um ônibus para levar os universitários para estudar em União da Vitória. Essa tradição (ou necessidade) é mantida até os dias atuais, onde muitos são-mateuenses viajam para estudar em União da Vitória todos os dias. Ele quem criou a Biblioteca Pública Municipal doando o seu acervo pessoal e homenageando sua primeira esposa a Professora Arlete Neves Schramm. Com o progresso da cidade, realizou o calçamento em um grande número de ruas da cidade e construiu a atual estação rodoviária sendo considerada, na época, uma das mais modernas do Paraná. E foi na sua gestão que adquiriu os equipamentos para a torre repetidora dos canais de TV.

O Dr. Edison teve uma atuação marcante na sociedade, sendo um dos seus fundadores do Clube Ideal São-mateuense e do Clube Atlético São-mateuense, que fez história no futebol paranaense. Quem não se lembra dos grandes jogos do futebol “amador” que aconteciam na nossa região? Ele, juntamente com mais 12 (Gerson Ari Do Amaral Ferreira, Antonio Dos Santos Cirilo, Waldir Eduardo Martins Filho, Luiz Roberto Nogueira Soares, Francisco Kuczera, Francisco Luiz Ulbrich, Edival Antonio Ribeiro, Theodoro Rutckeviski, Luiz Fernando Toppel, Ronaldo Toppel, Washington Cezello Luciano Gusso,Jose Falkoski.) sócios criaram a rádio Difusora do Xisto da qual se tornou diretor.

O Dr. Edison Schramm já algum tempo vivia recluso, devido a sua idade avançada e a problemas de saúde que o debilitou. Recentemente teve uma das suas pernas amputadas devido a uma trombose. Ele faleceu na madrugada de segunda-feira (25/07), por falência múltipla dos órgãos. O Dr. Edison tinha cinco filhos nos dois casamentos, era viúvo da professora Arlete Neves Schram e deixa viúva a querida Romilda Terezinha Zanetti Schramm.

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