As bolotas são elaboradas com um tipo de sedimento bastante fino, que é agregado à fertilização natural com excrementos de minhoca e as sementes são depositadas em seu interior. (Fotos: Divulgação Prefeitura Municipal de São Mateus do Sul)

Na sexta-feira (5), data em que é celebrado o Dia Mundial do Meio Ambiente, a Prefeitura Municipal de São Mateus do Sul, através da Secretaria de Meio Ambiente, realizou um experimento visando avaliar a utilização de uma técnica voltada ao controle do mosquito Aedes aegypti, causador da dengue.

O Secretário de Meio Ambiente do município, Helio Toshio Sakurai, comentou sobre o objetivo da atividade envolvendo a técnica de bomba de sementes. “A equipe da Secretaria concebeu essa ação que possui um caráter duplo muito interessante: trabalhar o aspecto ambiental e também uma questão de saúde pública, que é a dengue”, afirmou ele.

De acordo com o Secretário, o experimento foi realizado às margens do Rio Iguaçu. “Iremos realizar o experimento em mais um ponto, localizado próximo ao bairro da Vila Amaral. Nossa equipe de profissionais responsáveis irá acompanhar a situação e realizarão os estudos técnicos para avaliar a eficácia da técnica e de acordo com isso definir se ela pode ser expandida para outras regiões do município”, pontuou ele.

Entenda mais sobre o experimento

Demerval Pessin (Zé Carioca) é servidor técnico em agropecuária da Prefeitura Municipal de São Mateus do Sul. Ele comentou sobre as várias nuances que envolveram a concepção do experimento. “Podemos dividir a fundamentação teórica na qual o experimento se baseia, em 3 autores, cujos estudos preenchem o escopo teórico do projeto. O primeiro deles, é o japonês Masanobu Fukuoka, autor que introduziu em 1975, a agricultura natural. Esse é um modo agrícola sustentável chamado de ‘fazer-nada’, o que se refere não à falta de esforço, mas a evitar entradas e equipamentos fabricados”, explicou ele.

A equipe da Secretaria Municipal de Meio Ambiente realizou a semadura das sementes de plantas do gênero Crotalária, num experimento que tenta combater o mosquito da dengue em nossa cidade.

O servidor explanou sobre os outros dois campos teóricos que direcionaram a elaboração do experimento. “Outro autor que norteou nossa ação foi o Peter Proctor. Ele trabalha com uma versão moderna do conceito de agricultura biodinâmica, que aborda a fertilidade do solo e o crescimento das plantas, como coisas ecologicamente relacionadas. Esse tipo de metodologia tem bastante em comum com abordagens orgânicas, utilizando esterco (ou outras fezes), excluindo o uso de fertilizantes”, evidenciou Demerval.

Por fim, o último autor citado pelo servidor, é o austríaco Fritjof Capra. “Esse autor nos oferece uma perspectiva proveitosa no livro intitulado ‘O Ponto de Mutação’. Ele trata das falhas nos paradigmas cartesianos adotados para guiar o comportamento humano e a política no tocante à tecnologia moderna e à ecologia. Em um período de pandemias, onde não sabemos como será a nova normalidade, esse tipo de abordagem é bastante interessante”, finalizou ele.

A experimentação na prática

O Secretário de Meio Ambiente explicou como a ação se decorreu na prática. “O intuito do projeto é a semeadura de sementes de uma espécie do gênero botânico Crotalária, que é encontrada em vários lugares e já está estabelecida em nosso município. Existem alguns estudos que demonstram a utilização do plantio dela, pois atrai indivíduos do gênero Odonata, composto pelas libélulas. As larvas desses insetos são predadoras vorazes em seu ambiente, se alimentando de várias outras espécies de larvas, incluindo as do mosquito da dengue”, explanou ele.

A técnica utilizada para a semeadura foi a de bomba de sementes. Demerval explicou o funcionamento desse método “Adotamos uma técnica que agiliza a semeadura e utiliza componentes naturais que não agridem o meio ambiente. Isso permite que alcancemos regiões alagadas que possivelmente contêm focos de larvas do mosquito da dengue. As bolotas de argila são compostas de caulim, que é uma classe de granulometria menor do que a argila propriamente dita. Em adição a elas, a equipe desenvolveu uma cola bacteriana baseada nos coprólitos das minhocas. As sementes foram retiradas da fauna local que conta com bastante exemplares espalhados ao longo do município e inseridas nas bolotas de caulim e do material com excrementos das minhocas. Agora vamos realizar o experimento no segundo ponto e monitorar os resultados através da equipe da Secretaria Municipal de Meio Ambiente”, finalizou ele.

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