Transporte de alunos suspenso deixa empresas e empregados sem renda. (Foto: Acervo/Gazeta Informativa)

O cenário de aulas paradas é apenas um dos problemas sociais diante da pandemia. O Covid-19 obrigou empresas de transportes de alunos a recolherem seus veículos, sem perspectivas de retorno. Sendo os primeiros em parar e, talvez, na linha dos últimos em retornar à normalidade. Redução de salário já ocorreu, mas quem tem um único veículo viu a fonte de renda secar e está preocupado.

A situação dos prestadores terceirizados, do transporte escolar da prefeitura de São Mateus do Sul, foi abordada na sessão da Câmara de Vereadores por Júlio Balkowski, nesta semana. O parlamentar cita que é necessário ajudar a categoria, de alguma forma, dentro da legalidade. Mesmo parados, os empresários ou microempresários do setor seguem pagando tributos.

Outro agravante é o financiamento. Para estar trabalhando e oferecendo segurança aos alunos um dos quesitos centrais é a qualidade dos veículos. Grande parte recorre à compra financiada e, sem trabalhar, não tem como quitar as parcelas mensais. Alguns já devolveram ou venderam seu utilitário pela simples condição de não poder arcar com o custo mensal do boleto.

Balkowski defendeu de que uma medida precisa ser adotada, pois a prefeitura não teria condição de fazer o transporte com veículos próprios, disso a necessidade de terceirização. Logo, o amparo ao setor é sugerido pelo vereador. Em torno de R$ 700 mil, segundo ele, seria o valor mensal de pagamentos aos contratos que atuam em linhas municipais, transportando alunos.

Seriam em torno de 30 contratos. Para Fernanda Sardanha este transporte está à deriva com a pandemia. Ela sugeriu que a prefeitura estude, inclusive, a possibilidade dos recursos disponibilizados para combate ao Covid-19 serem destinados para aliviar a situação. Tudo dentro de um projeto de Lei que pudesse auxiliar este grupo, por conta de muitos apenas ficarem nos contratos municipais e sem outra renda.

Um levantamento mais amplo será feito para entender melhor a situação, de acordo com Balkowski. Nereu Dal Lago comentou, nesta mesma sessão, que municípios da região estão fazendo uma espécie de adiantamento para quitação posteriormente. O presidente disse que está aguardando receber informações da parte de empresários do setor para dar o encaminhamento.

Veículos parados

Uma pessoa que atua no setor relatou o momento delicado e o futuro, muito, incerto. Empresas fizeram acordo coletivo com os funcionários que incide na redução salarial, que é outra consequência agravante. O fato de tirar notas fiscais para cobrar da prefeitura por quilômetro rodados impossibilita qualquer forma de ter algum valor adiantado. A não ser que exista alguma prerrogativa legal.

Os contratos assinados entre os prestadores e a prefeitura não tem um seguro, por suspensão de serviço. O que poderia amenizar o sofrimento dos empresários e microempresários do setor. Questão apontada como fundamental para novos períodos. Os trabalhadores de transporte escolar, em São Mateus do Sul, estão parados desde o dia 19 de março e não tem nada de concreto sobre o retorno.

As contas de água, energia elétrica, aluguel, internet e os tributos mensais seguem sendo remetidos aos contratados. Alguns recorreram às linhas de crédito, mas mesmo assim mantém a incerteza até para uma carência de pagamento. No caso de coletivos ou transportes rodoviários, por mais que reduzido, se mantém. Diferente do escolar que depende do retorno das aulas para voltar a operar.

Defesa do trabalhador

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de União da Vitória (SINTRUV), Lourenço Johann, disse que os problemas são graves. Tanto em São Mateus do Sul quanto em outros municípios em que a entidade atua em defesa dos empregados no setor. “A gente está atento em tudo que está acontecendo”, afirma. “O transporte escolar e o turismo são os mais atingidos.”

“Os empresários estão praticamente abandonados, pois não têm faturamento”, acrescenta. Isso, segundo ele, impede assumir qualquer tipo de compromisso. Por ser um transporte de ‘muito risco’ (se tratando de crianças), o cuidado para um retorno tem de ser ainda mais amplo. Enquanto isso, o Sindicato trabalha na tentativa de manter os empregos para não ficar ‘ainda pior’.

Mesmo assim, há empresas que não estão conseguindo manter os acordos coletivos. Empresários do setor estão com dificuldades na manutenção do que foi acordado com a categoria e o SINTRUV tem dificuldade de cobrar isso, pelo momento delicado de pandemia. “A gente está tentando dar as mãos”, explica, mostrando a busca por união, neste momento, focando a manutenção do emprego.

A suspensão dos contratos de trabalho é uma alternativa que muitos seguiram. Mas somente o retorno à normalidade é que vai equilibrar a renda empresarial e, por conta disso, manter a regularidade dos salários, no entendimento do presidente. Mas está faltando diálogo com os prestadores de serviço, sobre uma solução paliativa na atual conjuntura de crise. “Não estão sendo nem ouvidos.”

A indicação de Lourenço é de que busquem por entidades patronais e negociar com a prefeitura, algum tipo de subsídio. Contudo, o presidente ressalta que se o benefício do governo não for mantido e nem as aulas retornarem, infelizmente, pode incidir em rescisões. Até com dificuldade de pagar os direitos do trabalhador. Situação que pode se agravar pela ausência de transporte, quando do retorno.

Sidnei Muran

Sidnei Muran

Jornalista (MTB 7597 DRT/PR), formado pelo Centro Universitário de União da Vitória (Uniuv), pós-graduado em História e Cultura pela Unespar – campus de União da Vitória e Licenciado em História pela Unespar – campus de União da Vitória.
Sidnei Muran

Comentários

Compartilhe:


MATÉRIAS RELACIONADAS
‘Dançar é assim como se apaixonar’, diz bailarino são-mateuense de 17 anos aprovado para Escola de Dança Teatro Guaíra, em Curitiba
Evento de lançamento do “Livro dos Saberes de São Mateus do Sul” reuniu cultura, comida típica e o carisma dos são-mateuenses
Projetos são-mateuenses são destaque no Programa Agrinho 2018