(Imagem Ilustrativa)

Era véspera do exame final. O professor de Física, voluntariamente se dispôs a revisar a matéria da prova no período da tarde. Durante a explicação, frisou: ‘Prestem muita atenção que este exercício é similar a uma das questões da prova!”. Calmamente riscava de giz o quadro negro.

O garoto tinha uma dúvida, a mesma que o fez errar a questão e deixá-lo em exame. Tudo o que ele queria era levantar o dedo, fazer a pergunta. O braço pesava uma tonelada, o suor lhe escorria pela testa. Os lábios tremiam, mas nenhum som saia de sua boca.

Ele queria ser como o Pedrinho, que desde o jardim de infância não perdia oportunidade de perguntar. Ele, por sinal, ficava esperando cada questionamento de Pedrinho, pois sempre era uma oportunidade de aprendizado. Sonhava em ter a mesma facilidade que o colega, porém tinha medo de parecer ridículo por talvez não conseguir articular bem uma pergunta, quem sabe gaguejasse. Sabia que alguns não perderiam a oportunidade de gozá-lo. Mas por que para o Pedrinho era tão natural e para ele não?

Algumas pessoas sentem prazer em enfrentar o desconhecido: viajar para uma nova cidade, experimentar a culinária de uma região ou país, falar em público ou aprender um pouco mais sobre a Física.

Quando experimentamos algo novo, ou encaramos uma dúvida, podemos até nos sentir um pouco ridículos ou ignorantes, mas faz parte do aprendizado. Me lembro da primeira vez que fui abastecer o carro num posto de gasolina americano. Acostumado ao sempre bom atendimento dos frentistas brasileiros, apanhei para liberar a bomba de gasolina, pois eu não conseguia escolher a opção correta. Formou-se uma fila e talvez aqueles que esperavam se questionavam quanto a minha incapacidade diante de uma tarefa tão simples. Depois de algumas tentativas, obriguei-me a pedir ajuda para a senhora do caixa. Senti um alívio grande com o obstáculo superado. Eu lembraria de alertar aqueles que, como eu, fizessem uma viagem a um território desconhecido.

Quem convive com crianças, sabe o quanto é bom observar o sorriso de uma delas quando descobre algo novo, quando supera um obstáculo, como ficar em pé, dar o primeiro passo, descobrir o sabor de uma fruta, pagar pelo primeiro sorvete, por exemplo. As crianças aprendem experimentando, acertando ou errando. Quando já somos um pouco mais crescidos e usamos a razão e experiências anteriores, podemos aprender de forma pensada, planejada. Porém muitas vezes essa racionalidade nos coloca numa situação de medo exagerado. Assim, não aprendemos, não experimentamos e nos privamos do prazer de uma descoberta.

Você pode escolher entre viajar e explorar o mundo usando o Google (ferramenta importante para seu planejamento), aproveitando a segurança e o conforto de sua cadeira ou encarar a realidade da vida e sentir o prazer, experimentar o sorriso em cada descoberta, em cada sensação em sua pele e ter mais algumas histórias para contar.

Com o diziam os mais velhos: “Vivendo e aprendendo!”.

Nascido em São Paulo (SP), são-mateuense de coração, casado com Denise, pai de Lucas, Vinícius e Helena. Administrador, especialista em gestão empresarial pela ESAG/UDESC e especialista em Gestão e Auditoria Ambiental pela FUNIBER. Trabalha na Petrobras desde 1986, onde exerceu, desde 1987, funções gerenciais em mais de nove áreas especializadas. Atualmente é gerente de manutenção da Unidade de Industrialização do Xisto em São Mateus do Sul (PR). Contista desde 2012, com diversos textos publicados em meio impresso e digital. Autor de Histórias que as estrelas contam – um pouco de astronomia para adolescentes. www.adnelsoncampos.com.br - adnelsoncampos@gmail.com.

Compartilhe:


MATÉRIAS RELACIONADAS
Gerenciando crises
Buscando o fim do túnel
Viagem no tempo

Deixe seu comentário

*