Prismas

Será o fim das livrarias físicas?

(Imagem Ilustrativa)

No último domingo de 2018, voltei para casa um pouco triste. Quando vamos aos shopping centers, não deixamos de dar uma passada nas livrarias. É muito gostoso ver o sorriso da minha filha quando olha a capa de um livro e depois o folheia. Quando encontramos algo que agrade, normalmente ela completa o passeio abraçada a sua nova aquisição. É assim para muita gente que adora o ambiente das livrarias e a leitura.

Passamos primeiro pela Livrarias Curitiba e tudo estava normal. Depois, formos até uma das lojas da Saraiva. O ambiente parecia sombrio, triste. O motivo: funcionários cabisbaixos montavam caixas de papelão e guardavam os livros tirados das estantes e mostruários. Era o último dia de funcionamento da loja. O mesmo destino, teriam outras quarenta lojas no Brasil. Há pouco tempo experimentamos algo parecido em São Mateus do Sul.

O efeito Amazon parece devastador. Livrarias e editoras precisam encontrar uma forma de convívio e, acredito que o Ministério da Cultura também deva participar da discussão de como gerenciar o mercado literário brasileiro.

Ousando um pouco mais no pensamento, quem sabe precisemos conter o crescimento do Império da Amazon. Se há barreiras comerciais na agricultura, por exemplo, porque não na cultura? Se pagamos mais por produtos “orgânicos”, porque não o fazemos por um livro comprado em loja física?

Este fenômeno, da preferência por lojas virtuais, vem acontecendo no mundo todo. Há alguns dias ouvi alguns comentários sobre as dificuldades que a Beste Buy, uma tradicional loja física de comércio de equipamentos eletrônicos americana vinha passando. Os consumidores iam até as lojas físicas da Best Buy, experimentavam os aparelhos, voltavam para suas casas e compravam os equipamentos em lojas virtuais, na Internet. As vendas das lojas da rede vinham caindo mais e mais. A empresa procurou os fabricantes que num primeiro momento não demonstraram preocupação. Assim a Best Buy decidiu retirar de algumas de suas lojas os mostruários dos equipamentos. Resultado: nessas regiões, as compras pela Internet de tais equipamentos tiveram redução significativa. Os fabricantes descobriram que sem um showroom, vendiam menos de seus produtos. Com isso a rede Best Buy passou a receber contrapartidas para expor tais produtos.

Quem sabe este seja um caminho: showrooms incentivados por editoras de livros. Ou ainda, impostos diferenciados para quem tem lojas físicas também possam ser um instrumento regulador, de equilíbrio entre o meio físico e o virtual.

É importante lembrar que lojas físicas geram muito mais empregos que as virtuais. Quem sabe os funcionários de livrarias físicas pudessem melhor se preparar e gerar um outro diferencial competitivo e, em contrapartida receber alguma recompensa financeira também.

Mas minha preocupação não é tão somente com a sobrevivência financeira das livrarias feitas de tijolos e argamassa e de seus funcionários. Livrarias físicas são fomento de cultura. Ter o contato com o livro, com um ambiente que estimula a intelectualidade e a pesquisa é importante para pessoas de todas as idades, principalmente para os mais jovens.

Espero que acordemos em tempo de enxergar que tudo não se resolve só sob o aspecto econômico e que preservar a cultura é fundamental.

Nascido em São Paulo (SP), são-mateuense de coração, casado com Denise, pai de Lucas, Vinícius e Helena. Administrador, especialista em gestão empresarial pela ESAG/UDESC e especialista em Gestão e Auditoria Ambiental pela FUNIBER. Trabalha na Petrobras desde 1986, onde exerceu, desde 1987, funções gerenciais em mais de nove áreas especializadas. Atualmente é gerente de manutenção da Unidade de Industrialização do Xisto em São Mateus do Sul (PR). Contista desde 2012, com diversos textos publicados em meio impresso e digital. Autor de Histórias que as estrelas contam – um pouco de astronomia para adolescentes. www.adnelsoncampos.com.br - adnelsoncampos@gmail.com.

Compartilhe:


MATÉRIAS RELACIONADAS
Exemplo de competência e objetividade
Todos merecem respeito
Estamos tornando obsoletas as “atividades humanas”

Os comentários estão fechados