(Imagem Ilustrativa)

Quando nasci, em 1963, a televisão no Brasil já era pré-adolescente. Hoje, uma madura senhora que no último 18 de setembro de 2020 completou seus 70 anos, desde a primeira transmissão, na cidade de São Paulo.

Sim, o Brasil foi um dos primeiros cinco países do mundo a fazer uma transmissão ao vivo pela TV. Por incrível que pareça, tínhamos câmeras, profissionais, antenas repetidoras, mas não tínhamos aparelhos de TV para a recepção, por demora nos processos de importação. Nem mesmo o Presidente da República conseguiu a liberação e os primeiros duzentos aparelhos foram contrabandeados (meu professor de Direito Tributário me corrigiria e diria que não foi contrabando e sim descaminho) para viabilizar a transmissão e foram espalhados em alguns pontos da cidade de São Paulo. Hoje são mais de 100 milhões de aparelhos conectados à rede.

É claro que por trás de projetos como esses há interesses políticos, econômicos e de poder, mas tenho que reconhecer a coragem de empreendedores, pessoas que acreditam nos seus sonhos e ajudam a realizar os sonhos de muitos outros. Foi assim com Assis Chateaubriand que formou um verdadeiro império com os seus Diários Associados e fundando a TV Tupi em 1950.

Hoje, descobri que Silvio Santos começou seus programas de TV no exato ano em que nasci e até hoje o faz. Foi mais um que apostou, empreendeu, justamente quando a vida lhe dava uma rasteira.

Alguns anos depois, na sala de minha casa eu assistia a TV Bandeirantes enquanto brincava no tapete da sala. Em 1969 eu e mais de 600 milhões de pessoas no mundo vimos um americano pisar na Lua, com transmissão feita através de um satélite russo, o Sputnik-1 (em plena Guerra Fria e a Corrida Espacial).

Hoje, qualquer um pode brincar de fazer televisão e realizar uma transmissão ao vivo com um pequeno aparelho na palma das mãos. Porém, foi graças a esse pioneirismo que tudo isso foi possível.

Foi com a TV que as informações, os fatos que aconteciam no mundo começaram a chegar na casa das pessoas a partir da segunda metade do século XX. Adorada por uns, odiada por outros, transformou a vida de gerações. Tornou-se uma indústria cultural.

Como indústria, produz alguma coisa, no caso, cultura, informação e entretenimento. Se é indústria, visa o lucro, o interesse de quem nela investe. Com ela, criaram-se e derrubaram-se governos e isto continua acontecendo até hoje. Por isso a importância da diversidade, da existência de muitos canais, de diferentes correntes ideológicas. Esta pluralidade ajuda a criar o senso crítico, a formar opiniões.

Hoje os aparelhos de televisão uniram-se a Internet, conectando os dois maiores meios de comunicação em massa. Também levaram o cinema para a casa das pessoas, para o bolso das pessoas, para as mãos dos indivíduos.

Há alguns anos, muitos defendiam que a televisão prejudicava a vida das pessoas. Sim, pode prejudicar se você não fizer boas escolhas quanto a programação a ser assistida. Porém, quando a TV e o rádio eram os instrumentos de entretenimento em casa, a família se reunia para assistir, criando um momento de interação, de convivência, pois na maioria das casas havia apenas uma tela. Muitas vezes era o único momento de encontro numa vida atribulada.

Hoje, numa geração multitelar, buscamos o isolamento em nossos quartos e escritórios e conhecemos as pessoas apenas por fotografias fabricadas em programas de tratamento de imagem. Sem a maquiagem, se tornariam irreconhecíveis.

Eu, guardo uma visão romântica da TV. Aprendi muito com ela, me emocionei com filmes, novelas. Comemorei vitórias, chorei derrotas. Sonhei, realizei sonhos. Que saibamos usufruir do que ela tem de bom. Apenas cuidemos para que ela ou a Internet não domine nossas vidas. Senso crítico sempre!

Adnelson Borges de Campos

Adnelson Borges de Campos

Nascido em São Paulo (SP), são-mateuense de coração, casado com Denise, pai de Lucas, Vinícius e Helena. Administrador, especialista em gestão empresarial pela ESAG/UDESC e especialista em Gestão e Auditoria Ambiental pela FUNIBER. Trabalha na Petrobras desde 1986, onde exerceu, desde 1987, funções gerenciais em mais de nove áreas especializadas. Atualmente é gerente de manutenção da Unidade de Industrialização do Xisto em São Mateus do Sul (PR). Contista desde 2012, com diversos textos publicados em meio impresso e digital. Autor de Histórias que as estrelas contam – um pouco de astronomia para adolescentes. www.adnelsoncampos.com.br - adnelsoncampos@gmail.com.
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