Setor agropecuário cresce em São Mateus do Sul. Paraná registra números recordes e, mesmo
em meio à pandemia, setor segue forte. (Foto: Divulgação ACIASMS)

A região, em especial São João do Triunfo – que tem grande parte do meio rural com pequenas propriedades e a fumicultura como atividade principal, necessita de novas alternativas de renda para o meio rural. Ao passo que, recordes de exportações são anunciados pelo governo estadual em meio à crise mundial na economia, cogitada, por conta da pandemia da Covid-19.

A Associação Comercial, Industrial e Agropecuária de São Mateus do Sul (ACIASMS) aponta dados representativos que mostram um cenário muito favorável, de crescimento, de 2018 para 2019. Com boas expectativas em 2020. Setores como a produção de erva-mate, bovino de corte e soja crescem. Apenas o tabaco que tem movimento menor, atribuído à política de preço.

Para entender o crescimento, a base é Valor Bruto de Produção (VBP) que no setor agropecuário são-mateuense cresceu 18% em 2019. Estes dados são recentes e publicados pelo Departamento de Economia Rural (Deral). “É dado oficial e muito representativo. Mostra que ‘Juntos Somos Mais Fortes – Unidos Somos Imbatíveis’”, avalia o presidente da ACIASMS, Luciano Castilho.

Esta frase é o lema de campanha da entidade para estimular o comércio, aquisição de bens e serviços em estabelecimentos do município. “Muito apropriada para o meio rural também”, destaca o presidente. A ACIASMS tem atuado neste campo relacionado à Agricultura. Tanto é que promoveu, em 2019, o 1º Agroshow São Mateus do Sul junto à programação da 15ª ExpoMate.

Na questão estadual, São Mateus do Sul estava em 28ª posição e subiu para 25ª. “Representa um crescimento importante. Mas precisamos trabalhar com valor agregado. Veja como exemplo Toledo que tem o maior valor de produção”, opina Luciano Castilho. Para ele, é preciso trabalhar com um mix (variedade de produtos) para agregar renda, independentemente do tamanho da propriedade.

São Mateus do Sul crescendo

O Valor Bruto de Produção de 2018 foi de R$ 430 milhões, passando o VBP para R$ 507.000 no ano passado. Luciano Castilho explica que os 18% de avanço em números reais são por conta da produtividade, que aumentou 9%, e preços dos produtos – principalmente soja, batata e feijão – que acrescentam outros 9%. “É muito representativo olhar este dado”, observa.
A análise do presidente da ACIASMS sustenta a perspectiva de que a Agricultura e a Pecuária se mostram muito favoráveis. “Não são diretamente atingidas pela pandemia, e sim representam setor em expansão”, cita. Outra riqueza são-mateuense, a erva-mate, saltou de R$ 77 milhões em 2018 para R$ 93 milhões no ano passado em Valor Bruto de Produção.

Outra cultura, já em escala maior, a Soja teve aumento representativo também. Foi de R$ 114 milhões para R$ 126 milhões de um ano a outro. O comércio de bovinos somou outros R$ 10 milhões e 300 mil ao VPB de 2019 para São Mateus do Sul. Única queda representativa está relacionada ao tabaco de R$ 50 milhões para R$ 45 milhões, sobretudo pelo menor preço pago ao produtor.

Luciano Castilho cita a busca de alternativas em cadeias produtivas que possam ampliar as atividades, dando mais opção aos agricultores, como saída para melhorar a renda no meio rural. Segundo ele, o projeto HortiFruti (HF) é uma alternativa que carece de maior apoio logístico e técnico. “Mas outras cadeias produtivas podem ser inseridas e fortalecidas. Este tem de ser o nosso foco”, acrescenta.

Cenário e números

O secretário de Estado da Agricultura e Abastecimento (SEAB) do Paraná, Norberto Ortigara, afirmou que há real expectativa de crescimento em proporção e importância no setor agropecuário para 2020. “Faturamos, ano passado, aqui no estado em termos de valor bruto R$ 97,7 bilhões, quase cem bilhões. Este ano passa brincando de 105, vai para uns 107, 110, talvez”, ressaltou.

Os dados citados por Ortigara mostram que 33,9% de toda a economia paranaense está relacionada ao meio rural. 1/3 de toda a riqueza paranaense vem da agricultura e pecuária. “Pela primeira vez na história conseguimos medir a participação do que se chama agrobusiness, antes, durante e depois da porteira. E ela é uma posição muito relevante”, afirmou o secretário.

A SEAB cita ainda que a situação de pandemia é favorável ao mercado agrícola, com expansão nas exportações de carnes e alimentos. “Mais de 3/4 da nossa força exportadora paranaense”, disse. O setor agropecuário como um todo, em 2019, cresceu 3% acima da inflação no Paraná. Num campo em que não se espera, para tão breve, a desaceleração econômica, na previsão estadual.

No Brasil representa em torno de 22% das exportações, podendo atingir até 25% em 2020, pela valorização de soja, milho e carnes, que têm grandes volumes de vendas para o exterior. “Mesmo na pandemia estamos expandindo”, explica Ortigara. Segundo o secretário neste ano as exportações brasileiras, em sete meses atingem 80% de tudo que foi exportado durante o ano todo de 2019.

“Está muito agressiva a compra de soja, a venda de carne bovina para o exterior”, frisa. Quanto ao planejamento para a safra 2020/2021, o Plano Safra está se ajustado com uma ampliação pequena de crédito, mas com taxa de juros menores. Até porque é necessário de ajustes entre oferta e demanda que um caso mais específico da cadeia do tabaco. Sobre ela, outra problemática é o contrabando.

Sidnei Muran

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