(Imagem Ilustrativa)

Imagine que a segunda-feira passada fosse o dia 14 de dezembro de 568 a.C. e você vivesse no antigo Reino Medo (depois chamado Pérsia, hoje Irã). Você é um soldado entre os milhares que lutavam entre o Reino Medo e o povo da Lídia (região que compreende parte do território da Turquia hoje). Então, por volta do meio-dia, o Sol, adorado como um deus por vários povos, começa a ser encoberto, ou como alguns acreditavam, devorado. O céu se enchia de estrelas e cumpria-se uma profecia. Qual seria a sua reação?

Como naquela época não havia estudos científicos e nem registros lógicos feitos por observadores ou imagens, acreditavam que poderia ser a ira dos deuses, descontentes com seus povos, motivo para cessar uma guerra. Foi o que fizeram.

Os antigos respeitavam e adoravam a natureza, com razão. Um eclipse pode não representar um mal presságio, mas, naquela época poderia ser interpretado como um sinal. Se a Lua influenciava a agricultura e marés, se o Sol era quem aquecia e fazia brotar a esperança de boas colheitas e se não havia como controlar suas forças, também a força dos ventos, das águas, dos raios, então, sempre que acontecia algo de diferente, principalmente envolvendo os astros, tais acontecimentos deveriam afetar a vida na Terra.

Para explicar o fenômeno, muitos povos antigos criaram histórias e explicações mitológicas e espirituais. Na China antiga, por exemplo, a população acreditava que os eclipses solares ocorriam quando um dragão celestial atacava e devorava o Sol. Para os Vikings, um par de lobos do céu perseguiam o Sol ou a Lua até um deles pegar um desses astros. Para combater e afugentar esses animais, as pessoas faziam barulho batendo panelas ou tocando tambores.

Os Incas, definiam sacrifícios para aplacar a ira dos deuses, mas com certeza não envolviam a vida do Imperador e seus apadrinhados.

Hoje, só achamos bonitinho e até nos damos ao luxo de assistir o movimento do eclipse pela Internet. Ainda temos uns maluquinhos entre nós. Fico imaginando como os terraplanistas explicam a circunferência da Lua, encobrindo o Sol ou da Terra fazendo sombra na Lua num eclipse lunar. Ah! Acreditam que a Terra é plana, chata e circular, me sopraram aqui. Também acreditam que o Sol e a Lua são muito pequeninos, estão mais perto do que imaginamos e habitam o domo que encobre a Terra. Não há outros planetas, só estrelas. Viveríamos num universo parecido como aqueles globinhos de Natal dos americanos.

Este mês de dezembro de 2020, particularmente, vai nos trazer vários fenômenos astronômicos: a proximidade entre Júpiter e Saturno (quem sabe formando a “Estrela do Natal”), várias chuvas de meteoros e nos proporcionou o eclipse parcial do Sol do último dia 14/12/2020. Também coincide com o aumento da atividade solar, que se alterna em ciclos de 25 anos.

Segundo várias fontes, alterações no plasma solar provocam interferências em nossos sistemas de comunicação, na formação de chuvas, tempestades e raios, nas movimentações de placas tectônicas. Se isto acontece com os aspectos físicos do planeta, também deve mexer com a estrutura dos seres vivos na Terra, provocando inclusive, alterações emocionais nos seres humanos.

Isto é um prato cheio para astrônomos, astrólogos, esotéricos e porque não para escritores desenvolverem suas teorias e histórias.

Se foram realmente sinais, que sejam prenuncio de melhores dias. Estamos precisando.

Adnelson Borges de Campos
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