Equipe Sentinela da COVID momentos antes da chegada da vacina. (Fotos: Alexandre Douvan/Gazeta Informativa)

Teve início a vacinação em São Mateus do Sul. As duas primeiras pessoas vacinadas no município foram Juliana Cardoso e Carina de Lima, que atuam na equipe sentinela da COVID-19, em frente ao hospital Dr. Paulo Fortes.

Os ponteiros do relógio já se aproximavam das nove horas da noite dessa terça-feira (19) quando o veículo que trazia a vacina de União da Vitória chegou na Unidade Sentinela da COVID-19. Após o rápido desembarque, a enfermeira Vanessa Hancz e a secretária municipal de saúde Marly Perrelli carregaram a caixa fria para dentro da tenda de atendimento. Naquele momento aguardado desde os primeiros casos registrados no Brasil, em março de 2020, foi possível testemunhar a emoção das oito mulheres e dois homens que todos os dias enfrentam a COVID para ajudar o próximo. Todos aplaudiram em pé a chegada das doses.

Com os olhos brilhando pela emoção daquele momento, Juliana Cardoso foi a primeira são-mateuense a ter a primeira dose completa, junto com Carine de Lima. Juliana relatou aquele momento como “uma enorme satisfação, a tão esperada vacina chegou e renova a esperança da população”, e complementa que “temos que continuar se cuidando, nosso trabalho ainda não terminou, temos ainda muito trabalho pela frente, vacinem-se”.

Em um momento de descontração após a aplicação das duas primeiras doses, Juliana recomendou a vacina para a população e disse “a minha já está garantida”, momento em que Carine de Lima aproxima sua carteira de vacinação da de Juliana e completa “a nossa está garantida”. O ato arrancou risos de todos os presentes, que muito simboliza a sensação de alívio e esperança que aquele momento proporcionou.

No dia seguinte, quarta-feira (20), foi o início da vacinação dos profissionais de saúde que atuam em outras áreas, como a Unidade de Pronto Atendimento e o Hospital Dr. Paulo Fortes.

A busca pelas vacinas

“É uma emoção muito grande, um presente estar aqui representando a cidade de São Mateus do Sul”, disse a secretária municipal de saúde ao chegar na 6ª Regional de Saúde para fazer a retirada das 371 doses reservadas para o município. Ainda assim, a secretária ressaltou que não se pode esquecer que os cuidados, como uso de máscara e álcool em gel, ainda são muito necessários.

Enfermeira Vanessa Hancz com a caixa térmica onde são armazenadas as vacinas.

A preparação para a busca das vacinas e insumos para vacinação começou cedo na terça-feira. Por volta das 8h da manhã já se tinha a informação de que o município poderia deslocar uma equipe para retirar os materiais destinados a São Mateus do Sul. O dia todo foi de expectativa na cidade, uma vez que todos os horários previstos para a chegada foram por água abaixo devido o mau tempo em todo o Paraná.

Em diversas regiões do estado, o atraso da chegada das vacinas foi maior que cinco horas. Na tarde da segunda-feira (18), 265 mil doses da vacina produzida pelo Instituto Butantan chegaram no aeroporto de São José dos Pinhais, também com um atraso de quase cinco horas. No dia seguinte, as doses passaram a ser transportadas para as 22 Regionais de Saúde do Estado. O avião preparado pela Secretaria de Estado da Saúde do Paraná (SESA) não pôde levantar voo para a região Oeste do estado, por exemplo, devido aos riscos de voar com o tempo instável. Em São Mateus do Sul foi cogitada a chegada das vacinas por um helicóptero, o que passou longe de acontecer.

Na manhã da terça-feira (19), a secretaria de saúde de São Mateus do Sul foi informada que as doses para o município estariam disponíveis para retirada na sede da 6ª Regional, em União da Vitória. Contudo, as doses viajaram de Curitiba até a 6ª Regional em um caminhão refrigerado da SESA e somente por volta das 19h houve a liberação dos veículos são-mateuenses para retornar ao município.

Com o intuito de impedir qualquer transtorno, todas os veículos que foram carregados com doses da vacina foram escoltados por viaturas da polícia militar. A medida se deu principalmente para evitar que o imunizante fosse interceptado. A medida de prevenção parece ter surtido efeito, uma vez que não foi registrada qualquer ocorrência sobre o transporte das vacinas.

Inicialmente São Mateus do Sul recebeu 371 doses do imunizante Coronavac, das 1.540 doses destinadas à 6ª Regional de Saúde. Antonio Olinto ficou com 37, Paula Freitas com 40, General Carneiro com 50, Paulo Frontin 70, Cruz Machado 75, Bituruna 78, Porto Vitória 79 e União da Vitória com 740 doses.

As pessoas vacinadas

Além de Juliana Cardoso e Carine de Lima, citadas anteriormente como as duas primeiras a receber o imunizante em São Mateus do Sul, outras oito pessoas que trabalham na Unidade Sentinela foram vacinadas. Seus nomes entram para a história do município: Ângela, Avanir Cezar Gulchinski, Betina Schmitt, Cristiane Wander, Janice, Samara S. Silva, Vanilse Valente e Yoire Portes.

“Sempre estive [desde o início]acompanhando o sofrimento da população, sofremos juntos, mas sempre estive aqui, disposta”, declara Juliana com a voz embargada pela emoção.

“Deixo aqui o agradecimento aos nossos trabalhadores da saúde, nós sabemos dos desafios diários de cada um de vocês e que estão firmes”, falou a prefeita Fernanda Sardanha. Na ocasião ela também agradeceu a presença da mídia para registrar o momento e reforçar a importância da vacinação. Ela também destaca que “a população brasileira estava angustiada, nas últimas semanas perdemos parentes e amigos, a gente não pode ser indiferente às grandes consequências dessa doença, porque ela é grave”.

A secretária de saúde Marly Perrelli, visivelmente emocionada, afirmou que as primeiras doses foram destinadas aos profissionais da unidade sentinela porque “são da linha de frente e a gente sabe o quanto eles se dedicaram a esse trabalho, correndo risco”.

A enfermeira Vanessa Hancz explica que as 371 doses do município serão distribuídas para os profissionais que atuam no Pronto Atendimento Municipal, Hospital Dr. Paulo Fortes e todas as Unidades Básicas de Saúde.

Estrutura para vacinação

A Secretaria Municipal de Saúde de São Mateus do Sul tem hoje uma rede de frios com câmaras de Imunobiológico e ar condicionado para armazenamento e distribuição de vacinas conforme as diretrizes do Programa Nacional de Imunização (PNI) do Ministério da Saúde.

O município conta com seis salas de vacinação abertas para atender a população são-mateuense. Os equipamentos e insumos como caixas térmicas, termômetros, agulhas, seringas estão sendo organizados desde a semana passada para o recebimento das doses e início da aplicação. Profissionais de saúde receberam orientações para recebimento e aplicação da vacina contra coronavírus para que a campanha de vacinação ocorra com celeridade e sem transtornos.

Por meio da assessoria da Prefeitura Municipal, foi informado que a capacitação dos profissionais de saúde, médicos, enfermeiros e técnicos em enfermagem, foi realizada seguindo os protocolos do Plano Nacional de Imunização (PNI) do Governo Federal.

Os próximos passos

A secretária municipal de saúde Marly Perrelli explica que “a sensação é de força, de vontade e recuperação”, pois “as pessoas possivelmente não vão mais perder suas vidas”.

Ela explica que na quarta-feira (20) pela manhã houve orientação aos profissionais da saúde do município sobre como proceder com a vacina e à tarde foram imunizados os trabalhadores do Pronto Atendimento, do Hospital e das Unidades Básicas de Saúde.

“Depois vem a Casa dos Idosos. Vamos deixar as vacinas reservadas para evitar um possível contágio e não podem ser vacinadas pessoas com algum sintoma do Coronavírus”, explica Perrelli. “Aí vem os idosos acamados, com mobilidade reduzida, que serão vacinados em casa no sistema drive-thru”, destaca.

No sistema drive-thru os idosos passarão no centro de vacina e receberam a dose do imunizante de dentro dos seus carros. Ainda não há previsão para início da vacinação de outros grupos, mas a secretária afirma que a segunda dose para a 1ª fase já está garantida e chega no município dentro de 15 a 20 dias. A aplicação da segunda dose da Coronavac acontece 21 dias depois da primeira aplicação.

Como funciona a Coronavac

Uma das questões que mais se repercute atualmente é: como funciona a Coronavac, vacina que veio para São Mateus do Sul e é produzida pela Instituto Butantan em parceria com a chinesa Sinovac Biontec.

De uma forma bem didática, o Butantan explicou que essa vacina conta com os mesmos princípios da vacina da gripe que anualmente tomamos. Pega-se o vírus inteiro do Sars-cov-2, que é multiplicado no laboratório, e por meio de um processo químico ele é inativado, assim não consegue mais se multiplicar e causar a doença. O vírus não está morto, ele como se estivesse congelado. Quando ele é introduzido no músculo, o corpo reconhece as proteínas mais importantes dele (espículas ou espinhos) e o anticorpo vai grudar ali.

Os possíveis efeitos colaterais da vacina são os já conhecidos de outros tipos de medicamento, como dor no local da aplicação e febrículo. Além disso, nada foi registrado.

A Coronavac oferece 100% de proteção contra morte pelo vírus, ou seja, nenhuma pessoa vacinada nos testes clínicos morreu pela doença. 77,96% de eficácia para os casos leves, aqueles em que o paciente sente dor de cabeça e tem febre. Já entre aqueles que não precisaram de nenhum cuidado médico, a eficácia foi de 50,38%. Esses dados indicam que a vacina é segura e apresenta diferentes graus de eficácia de acordo com cada caso, sobretudo garante o principal: evita mortes e reduz hospitalizações.

Outra questão que acaba despertando a desconfiança de algumas pessoas é a rapidez com que a vacina foi produzida. Mas o Butantan esclarece que não há o que temer, porque a tecnologia da CoronaVac já é conhecida, tanto que o Instituto consegue produzi-la – é a mesma tecnologia da vacina da gripe. Dessa maneira, a tecnologia da vacina é conhecida há muito tempo e o que mudou foi o vírus.

Antonio Olinto

Antonio Olinto recebeu 36 doses da Coronavac. Perguntado pela Gazeta Informativa, o prefeito Alan Jaros (PSD) declarou que “a importância disso todo mundo sabe, já faz quase um ano que o mundo espera essa vacina e nós aqui em Antonio Olinto estamos juntos nessa espera.

Jaros ressalta que o município está seguindo as diretrizes do PNI, assim como todos os outros municípios da região. A vacinação inicial é para os profissionais da linha de frente do combate à COVID e posteriormente deve se estender aos demais munícipes.

“Só estarei satisfeito quando a gente conseguir imunizar cada morador até chegar no último”, afirma Alan Jaros. Ele também conta que foi criada uma boa organização com o pessoal da saúde para realizar uma “grande campanha” de vacinação e que agora resta aguardar a chegada das próximas doses enviadas pelo Ministério da Saúde e da logística do Governo Estadual.

São João do Triunfo

No município vizinho, São João do Triunfo, as duas primeiras imunizadas foram as profissionais da enfermagem Márcia Pereira de Souza e Marli Krinski Moreira, na manhã de quarta-feira (20). O município recebeu 202 doses e também seguirá o Plano Nacional de Imunização.

Primeiros profissionais a receber o imunizante em São João do Triunfo nessa quarta-feira (20).

Como São João do Triunfo pertence a 3ª Regional de Saúde, sediada em Ponta Grossa, as doses chegaram até o centro de imunização horas antes em relação a São Mateus.

União da Vitória

É o maior município da região, com quase 60 mil habitantes, por isso também é o que mais recebeu doses da vacina, 740. Por ser a cidade sede da 6ª Regional de Saúde, também foi ali que se vacinou a primeira pessoa da região: Daniela Cristina Barbosa Cavalheiro, técnica de enfermagem que atua desde 2016.

Daniele Cavalheiro, a primeira imunizada da 6ª Regional de Saúde.

O movimento em União da Vitória foi intenso nessa semana, pois secretarias de saúde de todos os outros 8 municípios atendidos pela Regional se deslocaram até lá para retirar suas parcelas nas doses.

Os cães também querem vacina

Uma cena inusitada chamou a atenção de quem assistia a cerimônia de aplicação das primeiras doses na transmissão ao vivo da Gazeta Informativa. Dois cães que sempre estão às portas da Unidade Sentinela roubaram a cena no exato momento da aplicação da primeira dose.

“Cãovide” e “Sentinela”.

Os caninos ficaram animados com toda a movimentação e resolveram brincar com as enfermeiras e tiveram que ser atraídos para outro lugar pelos profissionais da imprensa presentes no local.

Por sempre estarem presentes na área, os cães ganharam os nomes “Cãovide” e “Sentinela”. Agora resta saber se os simpáticos animais também vão exigir tomar a vacina, uma vez que sempre estão presentes na linha de frente.

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