(Divulgação)

Falharemos! Essa é uma das dolorosas verdades da vida. Todos nós cometeremos erros. Todos nós falharemos em algumas situações. Ninguém está livre disso. A luta contínua é para diminuir a ocorrência das falhas ou minimizar seus efeitos, mas nunca estaremos plenamente garantidos contra nossas próprias falhas, nossos próprios erros.

Algumas empresas, ao selecionar profissionais para seus quadros, dão preferência para aqueles candidatos que já passaram pela frustração de falhar e conseguiram lidar bem com isso, porque ao longo da vida todos cometeremos erros e não podemos deixar que isso nos destrua. No entanto, não é um costume refletirmos sobre os deslizes futuros, mesmo com a certeza de que virão. É claro que sermos otimistas é importante, mas não podemos negar que em algumas ocasiões os objetivos não serão alcançados.

Isso se aplica a tudo que fazemos na vida, seja no âmbito pessoal ou profissional e as causas podem ser as mais variadas. Um exemplo é esquecer um compromisso porque confiou na memória e não tem o hábito de usar agenda, ainda que a carregue sempre consigo, pois, todo telefone celular tem ótimas agendas interativas. Quanto mais atribulada vai ficando a vida, maiores as chances de falharmos porque o fator físico e emocional começa a interferir em nossa concentração, memória e julgamento.

Alguns setores de nossa estrutura social investem bilhões em sistemas de redundância para se precaver contra as possíveis e prováveis falhas humanas. O melhor exemplo é a aviação. A rotina de verificação de funcionamento de uma aeronave é uma das coisas mais criteriosas que existem. Cada item é checado mais de uma vez e vários componentes de um avião são duplicados para que se um falhar, outro entre em operação. E ainda assim, a história tem vários casos onde falha humana causou queda de aeronave.

No trânsito terrestre diário, pedestres e condutores de veículos tentam evitar as falhas, mas alguns não conseguem e isso é causa de milhares de acidentes todos os dias. Uma conversão para o lado errado, uma freada brusca com veículo que bem logo atrás muito próximo, visão prejudicada porque o parabrisa está sujo, um calçado preso no tapete do veículo ao acionar o freio, distração com o celular, etc. São milhares de possibilidades de erros que causam acidentes diariamente, alguns fatais.

Quando entendemos que estamos sujeitos a falhar, somos mais compreensivos com as falhas dos outros. Aquela pizza que chegou com o recheio trocado, que chegou fria ou até que nem chegou porque houve confusão no pedido deixa de ser tão importante. Quando admitimos nossa falibilidade, as falhas dos outros afetam menos nosso emocional. Mas isso não quer dizer que devemos ser coniventes com tudo. Há que se distinguir entre erros do acaso de ações intencionalmente erradas. A falha humana em questão é aquela não intencional, não planejada e até mesmo indesejada, mas que acontece em algum momento com todos nós. Não deve ser confundida com problemas causados por negligência ou procrastinação nem com falhas sistêmicas como a que ocorreu na plataforma de petróleo Piper Alpha. Neste acidente, que destruiu uma plataforma de petróleo no Mar do Norte na Escócia, em 6 de julho de 1988, foram perdidas 167 vidas e bilhões de dólares, por causa de pequenas falhas que, ao se somarem, causaram um desastre.

Um exemplo mais local ocorreu aqui, na cidade em que vivo, Santa Maria, RS, em 27 de janeiro de 2013 um incêndio destruiu a Boate Kiss e ceifou a vida de 242 jovens estudantes. Um dos músicos da banda que tocava naquela noite acendeu um artefato de pirotecnia no palco. Claro que ele não tinha a intenção de matar ninguém, mas o resultado todos conhecemos. Esse caso ficará na história e será estudado como um exemplo de como o somatório de falhas humanas pode potencializar desastres. A espuma usada para o isolamento acústico da boate era inadequada pois propagava chamas. A boate estava superlotada e até aquela noite terrível, quase não se fiscalizava isso. O extintor de incêndio não estava no local adequado porque alguém achava feio ele na parede, não combinava com a estética. As saídas de emergência praticamente não existiam, os documentos de fiscalização estavam irregulares. Os erros, intencionais ou não, quando analisados sozinhos não pareciam tão importantes, mas ao se somarem se tornaram uma poderosa ferramenta de morte.

Então, nos cabe refletir sobre nossas pequenas falhas do cotidiano e sobre suas causas. Ao sair para o trânsito conduzindo veículos ou como pedestres, precisamos estar atentos a tudo, porque fazemos parte do todo. No trabalho, precisamos estar cientes dos riscos e da nossa responsabilidade na segurança e bem estar da equipe, dos clientes, dos vizinhos. Precisamos planejar o máximo possível, independente do que seja nossa atividade. Um bom planejamento antecede todas as histórias de sucesso.

Use a tecnologia a seu favor. Coloque seu planejamento na agenda do smartphone, grave mensagens de voz para você mesmo, use a agenda do aparelho. Funciona! Esteja atento, desconfie se estiver muito fácil, previna-se! E se alguém falhar e isso te afetar, não se cale. Chame a atenção, mas de forma educada, polida. Aproveite para aprender com o erro dos outros pois é melhor do que aprender com os seus, mas, jamais deixe de lembrar que amanhã a falha poderá ser sua.

Luís Ferraz
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