(Imagem Ilustrativa)

Num artigo estava uma lista sobre livros que já foram ou ainda são censurados e é algo que pode parecer estranho nos dias atuais, mas longe disso, recentemente ocorreu uma listagem aqui no Brasil, no estado de Rondônia com livros que deveriam ser retirados das bibliotecas e da rede estadual de ensino.

Porque os livros são censurados? Dizem os entendidos que geralmente por serem considerados subversivos por abordarem críticas ao governo e a sociedade e por quebrarem tabus que vão contra as regras, ditas sociais. Será que devemos levantar a censura contra os livros?

Há quem diga que tudo aquilo que é proibido é mais gostoso. Mas pensando bem, como é feita a censura de uma obra, quem decide? Pode ser levado a sério quando vemos determinados livros censurados no Brasil e mundo afora. Por exemplo, quando vemos o mundo fantástico de Harry Potter, ser banido das escolas no Emirados Árabes, com a justificativa que incentiva a bruxaria. Quem sabe a justificativa de banir das livrarias da Flórida, da Geórgia e Wisconsin nos Estados Unidos, o best sellers com mais de 100 milhões de cópias vendidas no mundo, Cinquenta tons de cinza. E Alice no País das Maravilhas, que na China, o livro foi banido por dar aos animais as mesmas qualidades que os homens e colocá-los no mesmo nível hierárquico. No Brasil a cidade de Macaé também censurou essa trilogia, por ser considerada pornográfica.

Palavreado chulo, incitação à prostituição e à rebeldia. Essas foram as justificativas para censurar o livro “O apanhador no campo de centeio”, de J. D. Salinger. E, mesmo assim, a obra é até hoje uma das leituras preferidas de jovens de todo o mundo. Há ainda aqueles livros censurados por trazerem histórias de um mundo repreendido por governos totalitários. É o caso de “Admirável mundo novo”, de Aldous Huxley, “Fahrenheit 451”, de Ray Bradbury, e, claro, “1984”, de George Orwell. E a lista pode se prolongar, mas esses, para se citar alguns bem conhecidos, que ainda vende bastante e muitos não sabem que foram proibidos.

Não vamos nem comentar o nosso período Militar, mas sim comentar sobre o ano passado (2020) quando um documento da Secretaria de Educação de Rondônia determinou o recolhimento nas escolas estaduais de 43 livros, entre os quais clássicos como “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis, “Macunaíma”, de Mário de Andrade, e “Os sertões”, de Euclides da Cunha e todos os livros de Rubem Alves. Após críticas profundas, a ordem não chegou a ser efetivada. Dois clássicos da literatura internacional também aparecem, Franz Kafka, com “O castelo”, e Edgar Allan Poe, com “Contos de terror, de mistério e de morte”. O argumento, no documento, era que os livros apresentavam conteúdos inadequados às crianças e adolescentes. Isso que os três livros nacionais citados são dos mais cobrados nos vestibulares, e ninguém conseguiu explicar isso e a pandemia acabou abafando o caso.

No caso de Rubem Alves imagina-se que sendo crítico do sistema educativo brasileiro, que pedia mudanças profundas e inspirou gerações sobre questões relacionadas à educação, ao tempo e à vida. Ele defendia a atuação de um professor que ensine a pensar e a estimular a curiosidade dos alunos.

Falou Rubem Alves:

Há escolas que são gaiolas e há escolas que são asas.

Escolas que são gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a arte do voo. Pássaros engaiolados são pássaros sob controle. Engaiolados, o seu dono pode levá-los para onde quiser. Pássaros engaiolados sempre têm um dono. Deixaram de ser pássaros. Porque a essência dos pássaros é o voo.
Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados. O que elas amam são pássaros em voo. Existem para dar aos pássaros coragem para voar. Ensinar o voo, isso elas não podem fazer, porque o voo já nasce dentro dos pássaros. O voo não pode ser ensinado. Só pode ser encorajado.

Amantes da Leitura
Últimos posts por Amantes da Leitura (exibir todos)

Comentários

MATÉRIAS RELACIONADAS
Emoção da leitura
Leitura para crianças
A sensação de ler