Prismas

Somos todos filhos da mesma mãe gentil

Imagem Ilustrativa

O que pode nos unir em torno de um mesmo objetivo é o sentimento de patriotismo.

No mês de dezembro do ano passado, um de meus textos foi selecionado para compor uma antologia da série Glorioso Império do Brasil, chamada Um hino ao Império. Nesta série de livros de ficção, os autores reconstroem a história do Brasil no período imperial. Apesar de não retratarem a realidade vivida na época, se é que ela é conhecida, servem como forma de resgate das coisas boas e não tão boas daquele período.

Pesquisando sobre o assunto para compor o meu texto, percebi que desde o momento da Independência do Brasil, passando pelo Primeiro e pelo Segundo Reinado, pela Proclamação da República até nossos dias, um dos nossos Símbolos permaneceu: a música do Hino Nacional Brasileiro. O hino contou com várias letras sendo a definitiva aprovada em 1922, cem anos após a criação da melodia por ocasião da Independência do Brasil.

Conta a história, quem em 1890, depois de proclamada a República, abriu-se um concurso para um novo Hino Nacional. Após ouvidas as quatro músicas finalistas, o Marechal Deodoro disse: “prefiro o velho!”. E foi o que aconteceu.

Naqueles cem anos, a música do Hino esteve presente nas mais diversas datas comemorativas e nos momentos de desagrados também. Porém, o que ele representava era algo maior que tudo, maior que todos, independentemente dos ideais políticos. A música resgatava o sentimento de amor à Pátria, nos unia como nação. Isto se comprova quando observamos as letras dos Hinos da Independência com seu “Já podeis, da Pátria filhos ver contente a mãe gentil” e do Hino Nacional no trecho “Dos filhos deste solo és mãe gentil, Pátria amada, Brasil”. A “mãe gentil” sempre presente, a união dos brasileiros como filhos da mesma Pátria, partidários dos mesmos ideais enquanto Nação.

É claro que nos diversos regimes vividos até aqui havia interesses políticos, de classe e pessoais em jogo. Mesmo na escolha das letras e músicas dos hinos isto ocorreu, mas se conservava o respeito à Pátria e àqueles que nela habitavam.

Acredito que só este sentimento de patriotismo, de objetivos comuns em relação a existência do Brasil como nação pode novamente nos unir. Fico torcendo para que neste ano de eleições encontremos nomes alternativos que devolvam a Nação Brasileira a dignidade e a integração nacional.

Precisamos resgatar o respeito em relação aos governantes e as instituições. Nós cidadãos precisamos nos respeitar uns aos outros. Não podemos aceitar as agressões mútuas partilhadas nas redes sociais e outros meios de comunicação. Não podemos aceitar inverdades, a indústria da mentira. Isto nos mutila enquanto cidadãos e coloca em lados opostos os filhos da mesma “mãe gentil”.

Precisamos encontrar uma forma de interromper este ciclo. Os primeiros movimentos neste sentido precisam começar nas nossas casas. Respeite para ser respeitado.

Quando começo a perder a esperança no meu país, paro por alguns minutos e canto o Hino Nacional Brasileiro e digo à minha mãe gentil que um filho dela não foge à luta.

Adnelson Borges de Campos
Últimos posts por Adnelson Borges de Campos (exibir todos)

Comentários

Compartilhe:


MATÉRIAS RELACIONADAS
Quem você segue?
Sem medo de aprender
O adeus ao maestro