(Imagem Ilustrativa)

Desde os primórdios, o homem luta por justiça. Mas o que é ser justo? Todos acreditamos, com base em nossos valores, nossa formação, nossas crenças que somos justos. Com base em nosso padrão de justiça, agimos e julgamos as ações de outros.

Mas ser justo não é algo lógico, preciso, matemático. A justiça é um conceito presente no estudo do direito, filosofia, ética, moral e religião. Todos estes fatores nos influenciam nossa concepção de justiça.

Falar em justiça parece algo fácil quando defendemos nossos direitos, um pouco mais difícil quando precisamos entender nossos deveres, nossas obrigações. Conhecer os limites entre nossos direitos e os direitos dos outros, da nossa liberdade também não é uma tarefa simples.

Ser justo não atende a um único modelo, pois a nossa noção de justiça tem evoluído com o tempo. O que parecia aceitável, justo, há alguns séculos, no século passado, ou talvez até poucos anos atrás, hoje não é mais.

Então, o nosso conceito de justiça muda de acordo com a época em que vivemos, com os preceitos da sociedade em que vivemos, do meio em que vivemos. Sobretudo, do pensamento de quem está no comando. Também dependem do ponto de vista político ou religioso predominantes em cada época.

Na busca por sermos justos, criamos mecanismos, estabelecemos regras, definimos leis que nem sempre conseguimos cumprir ou fazer cumprir.

Na intenção de que precisamos ser justos, imparciais, equilibrados, criamos toda uma estrutura para legislar, fiscalizar, acusar, defender, julgar. Nomeamos alguns homens juízes, certos de que pela sua formação e competência, baseados na lei, possam fazer a melhor escolha não para os indivíduos, mas para a sociedade.

Mesmo assim, nos deparamos com aquilo que chamamos de injustiça. Apesar de leis escritas, direitos universais e consagrados, os homens pensam diferente, decidem diferente, interpretam diferente, agem diferente.

Uma das bases do direito, da justiça é a ética. Alguns antigos filósofos da Grécia, que muitos aceitam como berço da sociedade civilizada, afirmavam que a ética é natural, pois o homem é um animal racional e político. Assim, a sociedade também deveria ser racional e política.

A ética também seria finalista, ou seja, todas as nossas decisões estão voltadas a um fim: produzir um bem, conquistar uma meta.

Por mais contraditório que se possa parecer, acreditamos que a ética possa ser racional, aí criamos as nossas regras, as nossas leis os nossos manuais de ética e definimos que sejam cumpridos.

Se a ética é finalista, talvez o nosso bem maior, o que buscamos seja a felicidade, como dizia Aristóteles. Então, mais uma vez encontramos objetivos diferentes. Para alguns, a felicidade está nos bens materiais, no prazer. Para outros na tranquilidade da consciência. Também alguns preferem o reconhecimento externo, os aplausos. O amor, o carinho, também podem proporcionar felicidade.

Ser para a nossa auto realização temos pensamentos diferentes, então, nosso conceito de ética, de moral, também pode variar e podemos aceitar ou não as regras que nos impõe. Com base nos fins pretendidos, podemos agir diferente do que foi convencionado ou é esperado de nosso comportamento e mesmo assim, possamos, com base na nossa visão, considerar tudo justo, pelo simples fato de estarmos convencidos de que é.

Quando olho para o nosso país dividido, sem comando, me pergunto: estamos sendo justos uns com os outros?

Tenho fé que ainda encontraremos um ponto em comum que nos unirá e nos fará passar por tudo isso, com perdas, mas da melhor forma possível. Se a ética é a busca de uma meta, um resultado, que seja o bem comum, o mais justo possível.

Adnelson Borges de Campos
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