(Imagem Ilustrativa)

Desde o início de 2020, a humanidade tem enfrentado momentos difíceis. Uma crise social pautada por alta mortalidade, crise econômica e isolamento social. Infelizmente, isso tem contribuído para o aumento no número de casos de distúrbios psiquiátricos. O coronavírus vem afetando a saúde mental de grande parte da população, aumentando drasticamente quadros de angústia, ansiedade e depressão, sendo os profissionais de saúde os principais afetados.

Nos encontramos, em geral, em circunstâncias desafiadoras frente à pandemia da Covid-19. Dessa maneira, é necessária uma atuação em conjunto para prevenir o suicídio e, para isso, é importante que as pessoas estejam conectadas umas às outras, mesmo com o distanciamento físico, mantendo vínculos sociais e se atentando aos sinais de alerta. O suicídio corresponde ao ato de tirar a própria vida, o que pode acontecer como resultado de conflitos internos que ocorrem ao longo da vida

Com o objetivo de compreender melhor as situações às quais estamos sendo expostos frente à pandemia e isolamento social, a redação entrou em contato com Caren Silveira, psicóloga que atende em São Mateus do Sul.

Quais os reflexos do isolamento social para a saúde mental?

O que mais emergiu neste momento foram os próprios conflitos internos que as pessoas já possuíam. Antes, podendo sair sozinho ou com amigos, conseguíamos usar esses momentos como “fuga” das sensações ruins. Quando precisamos ficar isolados e deixar de fazer as coisas que fazíamos para aliviar o estresse, somos obrigados a lidar com nossos conflitos internos. Sintomas que já tínhamos antes, como a ansiedade, podem ficar mais fortes e evidentes, gerando insônia, ganho ou perda de peso, prejudicando concentração e a autoestima, por exemplo. Afeta vários aspectos e acentua as condições já existentes, como depressão e crises de pânico. Isso gera um sofrimento emocional e psicológico.

O que pode gerar a ideação suicida?

Podem ser vários os gatilhos para esta decisão, desde uma perda de emprego, questões financeiras, situações inesperadas… são várias causas que podem levar à falta de esperança. Muitos acham que é apenas uma forma de chamar atenção, mas, neste momento, a pessoa está tão firme com aquela ideia que não consegue se desvincular disso e encontrar outra solução que não seja a ideação suicida. O importante é entender que o sofrimento e a dor são reais e a pessoa realmente acredita que a única saída é tirar a própria vida. Ela sente que não tem capacidade de resolver seus problemas, não consegue lidar com a dor de se sentir um fardo na vida das pessoas, com o acúmulo de culpa ou com o fato de se sentir vazia. Se ela chegou nesta ideia, é porque já tentou várias outras coisas que não funcionaram e nada mais parece fazer sentido.

Quais os sinais de alerta para identificar uma pessoa que pode estar pensando em tirar a própria vida?

Isolamento, automutilação, discurso sem esperança sobre a vida e sobre si mesmo, não ter planos a longo prazo, falta de perspectiva, cartas de despedida, testamentos, falas com tom de despedida, falta de apego, sentimento de invalidez…

Como ajudar uma pessoa que está querendo tirar a própria vida?

Primeiro, é necessário entender que não é frescura. Se ela te comunicou, é porque passou pela cabeça dela e é uma realidade. Precisa valorizar o que ela falou e acreditar ser real. Também é importante não se desesperar e pensar no que falar, sem agir por impulso. Não se deve culpar ou falar coisas que podem fazer com que se sinta pior, pois se a primeira pessoa que faz o acolhimento da situação usa de falas como: “seu ingrato”, “você não valoriza o que faço” ou “você não pensa nos outros” acaba trazendo um sentimento de culpa e fazendo com que ela não procure ajuda novamente. Isso porque não houve acolhimento quando ela precisou ou procurou.

Neste momento, a pessoa precisa de muito apoio, não sendo deixada sozinha. Se ela já deu algum sinal da forma como pretende realizar o suicídio, é importante tirar de perto dela as coisas que pode usar para se ferir, como lâminas, cordas e medicamentos. Isso deve ser feito de uma forma amigável, mostrando que você quer realmente ajudar. O “ouvir” é uma necessidade que deve ser atendida nesse momento, mas ouvir sem julgamentos e sem preparo de respostas, e sim para entender e acolher a pessoa, se mostrando presente. Perguntas como “o que posso fazer para ajudar?” ou “o que quer que eu faça nesse momento?” podem ajudar a acolher os sentimentos dela, proporcionando apoio e amparo.

Qual a importância do acompanhamento com um profissional da área de psicologia neste momento onde a pessoa já não tem vontade de viver?

Fundamental! Porque, enquanto psicóloga, eu sei oferecer suporte e estou preparada para lidar com estas situações, sempre acolhendo a pessoa e entendendo a dor. É importante saber lidar com o sofrimento, superando e identificando a origem da ideação suicida e como podemos resolver, no sentido de tornar a pessoa resiliente e devolvendo a sua esperança, além de ressignificar o há de ruim de uma forma que possa lidar com isso. Se necessário, ter apoio psiquiátrico com medicações e formar uma rede de apoio familiar neste “recomeço” da vida dela. É difícil passar por todo esse processo de dor e sair disso lidando com a situação sozinho. Tendo o suporte profissional, tem toda uma rede de apoio. O ambiente clínico é um local sigiloso e seguro para que o paciente possa se abrir e ser acolhido. Tudo é preparado para ser amparado e deixar de carregar o sofrimento sozinho.

Apesar do momento difícil que enfrentamos, a ideia principal é que, mesmo com o distanciamento físico, as pessoas permaneçam conectadas com familiares e amigos, sabendo identificar os sinais de alerta e a melhor forma de acolher aqueles que precisam de algum tipo de suporte. Fortalecer o vínculo afetivo com a família, amigos e ter apoio psicológico pode ajudar a ter relações interpessoais mais satisfatórias, saudáveis e aumentar a percepção de apoio, melhorando assim o bem-estar e a qualidade de vida.

Se você está passando por um momento difícil ou conhece alguém que precisa de ajuda para enfrentar alguma situação complexa, a indicação é de que procure um atendimento especializado para auxiliar.

Alana Pietrala Chincoviaki
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