Artigo de Opinião

Talvez fugir seja se encontrar

(Imagem Ilustrativa)

Analisando o tema do artigo dessa semana, me deparei pensando nos meus avós e nas histórias do tempo de criança. Desde que me entendo por gente, eu e meus pais dividimos a casa com os meus avós, e essa vida conjunta me faz perceber o quanto sou privilegiada em ter essa oportunidade de aprender com eles cada dia que passa.

Os finais de semana, feriados e datas de aniversário são uma loucura! E meu Deus, como eu gosto disso! Penso que todo mundo que possui um valor afetivo grande com os familiares sabe desse amor em reunir todo mundo para conversar, relembrar e aproximar os laços de sangue e união.

Colchões espalhados pela sala, aquele cheirinho do bolo saindo do forno e as conversas atravessando a madrugada são algumas das características quando a família está reunida. O mais legal disso tudo é que apesar das horas que passam rápido quando estamos juntos, é que você tem a certeza que existe o amor que durará para sempre.

Mas como comecei o texto falando dos meus avós (a principal base da minha família), agora quero contar um pouquinho sobre eles. Como muitos jovens do final da década de 60, os casamentos arranjados eram a principal garantia de estabilidade financeira. O amor era adquiro com o tempo.

Se você está pensando que isso aconteceu com os meus avós, está muito enganado. Como também muitos jovens da época, a única opção para escapar dessa realidade era literalmente fugir.

Meu avô era funcionário da minha bisavó, e como um bom galanteador, amoleceu o coração da filha mais nova da família Santana. Como o preconceito pela classe assalariada era bastante grande, o casamento não era visto com bons olhos.

De família humilde, mas de um coração transparecendo as boas intenções, em abril de 1969, Cláudio e Rosi resolveram aproveitar que ninguém estava em casa por conta de um velório que acontecia nas redondezas, e fugiram para se casarem.

Lógico que com o passar dos dias, a família acabou aceitando essa união, que hoje resulta em três filhos e quatro netos. Fico muito feliz em perceber a atitude que ultrapassou os limites de certo e errado para a época. Levo eles como exemplo, e principalmente, meus avós me fazem perceber que quando se quer algo não existe impedimento, mas sim, a vontade de ir atrás daquilo que tanto te faz bem.

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