Artigo de Opinião

Talvez você não conheça a Solange

(Foto: Cláudia Burdzinski/Gazeta Informativa)

Quando entrei trabalhar na Gazeta Informativa, um dos principais ideais que nos propuseram é começarmos a escrever matérias de perfil, que retratam um pouco sobre a vida das pessoas em São Mateus do Sul. Confesso que de primeira, inúmeros nomes influentes passaram pela minha cabeça, mas nessa mistura de nomes conhecidos me veio na cabeça pessoas que são passadas despercebidas no cotidiano cada vez mais apressado do município, e a necessidade de apresentá-las para todos.

Logo depois da lista de nomes para os perfis, veio um local em minha cabeça, lugar tão pouco conhecido, mas que realiza um trabalho completamente importante para São Mateus do Sul: a Cooperativa São-mateuense de Materiais Recicláveis (Cosamar). Moro no Loteamento São Joaquim, e sou “quase vizinha” da Cosamar há mais de 13 anos, e se não fosse a oportunidade de morar perto, talvez não pudesse falar com tanta propriedade desse ambiente.

Quando fomos morar na região, parentes e amigos da família quando passavam pela cooperativa categorizavam o lugar como um completo “lixão”, pelo grande número de resíduos que lá eram descartados inadequadamente. Digo isso porque a falta de diferenciação de materiais recicláveis com produtos orgânicos e comuns eram (e ainda são) descartados com descaso por pessoas que acreditam que ali é o lugar.

Mas o que uma cooperativa de recicláveis tem a ver com a matéria de perfil? Quando lembrei do lugar, lembrei das pessoas que ali trabalham, e da vida cotidiana de cada uma delas. Segunda-feira conheci melhor o dia a dia de Solange, que é a protagonista do perfil dessa semana e não menos importante do que nomes reconhecidos.

Conhecer Solange para mim foi reforçar uma teoria de que não precisa ter muito para ser tudo. Sei que não é só a vida de Solange que possui dificuldades naquele lugar e na cidade como um todo, pois estamos em épocas em que o conforto anda cada vez mais difícil e indiferente para a qualidade que é de direito de todos.

A timidez de Solange me mostrou que não é a extravagância que nos faz diferente das pessoas. A simplicidade e a valorização por tudo que se tem deve ser repassado não só por Solange, mas para cada pessoa que não enxerga o quão ilimitada é a vida.

Talvez você não conheça a Solange, mas pode ser o responsável por fazer o futuro de pessoas como ela cada vez melhores.


Confira a reportagem que conta a história de Solange: clique aqui para ler

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