Sei que às vezes parece balela vir com esse papo de “você é responsável pela sua vida e escolhas”, mas mesmo com esse discurso todo sendo clichê, é uma das verdades mais complicadas de aceitar e descobrir. Quando nos damos conta da responsabilidade e do poder que as nossas decisões trazem para nossa vida, o coração chega a bater mais forte e em alguns casos, a mão até dá uma suadinha. Vivemos na constante correria do dia a dia, e junto disso, percebemos o quanto nossa mente muda de minuto a minuto, e às vezes, nem nos damos conta da importância disso tudo.

Sou feliz em ter amigos com diferentes jeitos de enxergar a vida: uns tem o destino traçado, já outros, vivem ansiosos pela vida que ainda não tem um caminho direcionado. Está tudo bem se você já decidiu qual escolha tomar, e está tudo bem também se você ainda não sabe ao certo o que fazer. O fardo da responsabilidade pode ser aceito de muitas formas, só precisamos aprender a lidar com tudo isso e ter o nosso próprio tempo.

Para mim, Zygmunt Bauman, sociólogo polonês que faleceu em janeiro de 2017, foi uma das pessoas mais inteligentes que estudaram o comportamento humano da atualidade. Ele abordava assuntos como globalização, consumismo e a extrema dependência das pessoas em meios digitais, que interferem (mesmo sem ser diretamente) em nossas relações humanas. Com diversos livros premiados, Bauman apresenta o conceito de “modernidade líquida”, que o fizeram se tornar conhecido mundialmente.

O sociólogo caracteriza as mudanças e transformações de vida na atualidade como algo “líquido”: facilmente adaptáveis, fáceis de serem moldadas e capazes de manter suas propriedades originais. As formas de vida moderna, segundo ele, se assemelham pela vulnerabilidade e fluidez, incapazes de manter a mesma identidade por muito tempo, o que reforça esse estado temporário das relações sociais.

Estamos tão ansiosos e preocupados que esquecemos de desenvolver quais são as nossas prioridades. A “bomba” de influência surge de todos os lados: nas redes sociais, pela convivência cada vez mais afastada e a procura por algo que nem ao certo nós sabemos o que é. Vez ou outra mergulhamos em algo que pode parecer atrativo, mas que ao mesmo tempo pode sufocar ainda mais.

Escrevendo esse texto e lendo ainda mais sobre a vida líquida, veio aquele velho ditado popular de “fazer uma tempestade em um copo d´água”. Se a sua vida é um copo, cuidado com a intensidade da tempestade que pode chegar até ele!

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