Reflexão com Padre Marcelo S. de Lara

Tempo Pascal: A Vida Transformada

Imagem Ilustrativa

A Igreja Católica, desde o Domingo de Páscoa, celebra o chamado Tempo Pascal. São cinquenta dias, recordando as aparições de Jesus Ressuscitado à Comunidade dos Discípulos, seus seguidores. Esse Tempo, termina com a Festa de Pentecostes, o Envio do Espírito Santo por Jesus, aos seus apóstolos, para que com a força do Espírito continuem Sua missão no mundo.

A Ressurreição de Jesus é o eixo principal do cristianismo; foi por causa da Ressurreição que se deu origem à religião cristã; ela é o fato que levou os apóstolos a darem continuidade, transmitindo os ensinamentos do Mestre, porque Ele continua vivo.

Acompanhando os fatos, após a Morte de Jesus, relatados pelos Evangelistas, percebe-se o quanto os seus seguidores, os apóstolos, “perderam o chão” com a morte do Seu Mestre. O desespero, o medo, a incredulidade em Deus tomou conta das mentes e dos corações daqueles homens. Mesmo tendo acompanhado Jesus por praticamente três anos, ainda não haviam conseguido compreender quem era de verdade aquele homem, Jesus. A Sua prisão, o Seu sofrimento, a Sua morte na cruz escandalizou a maioria, gerou dúvida no coração e com isso, o medo. Aos pés da cruz, com o Mestre, ficou apenas o apóstolo João junto de Maria, a Mãe de Jesus; os outros haviam fugido, esconderam-se com medo.

A falta de fé, de confiança em Deus leva muitos a caírem no desespero, ficarem presos no medo, viverem no pessimismo, desacreditados da vida. Foi o que sentiram os apóstolos, com a morte de Jesus. Se sentiram só, talvez até decepcionados por terem depositado tanta confiança em um Homem que agora estava morto na cruz. Quantos de nós não nos abatemos, nos desanimamos quando Deus parece estar longe, nos sentindo só, sozinhos no medo, no sofrimento. Para os apóstolos foi preciso que Jesus aparecesse como Ressuscitado para devolver-lhes o ânimo, a coragem, o sentido de toda a caminhada que fizeram com Ele, e para serem testemunhas de tudo, mesmo diante das ameaças de morte que sofreriam.

Hoje, todo batizado em Cristo é discípulo de Jesus, e convidado no impulso do Espírito Santo a ser Missionário, levar sua mensagem de esperança, de alegria, frutos da Ressurreição, a outras pessoas, para que vivam uma vida nova, longe do medo, do desespero, da incredulidade. Mesmo não sendo testemunhas oculares da Ressurreição, herdamos o testemunho dos apóstolos que conviveram com o Cristo. “Bem-aventurados os que creram sem terem visto” (Jo, 20,29), diz o próprio Jesus a Tomé.

A Igreja hoje, Instituição e cada fiel batizado tem a missão de transmitir às pessoas, essa alegria da Ressurreição: “levar luz onde há trevas, alegria onde há tristeza, esperança onde há desespero, e a fé onde há dúvida”, (Oração pela Paz). A Ressurreição diz que a vida é maior, que Deus não nos abandona nunca, que a vida deve ser olhada não somente no plano humano, mas no plano divino.

Nas diversas situações, semelhantes às que os apóstolos passaram, possamos também nós sentir e levar a Paz do Ressuscitado, devolvendo a Vida que Jesus devolveu ao apóstolos ao dizer: “A Paz esteja convosco” (Jo, 20,19).

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