(Imagem Ilustrativa)

Há algo no fim das cosas que me deixa sem palavras. Sem versos, sem poesias. A floresta que arde em chamas e a ignorância que arde nos corpos que aplaudem.

Há qualquer coisa, menos sanidade nestas terras, agora nuas, que cultuam a devassidão das mentes – e falo no pior sentido da palavra. Pronunciam e bravateiam liberdade dentro da jaula.

Há silêncio nas bocas que ontem gritavam. Tudo em nome do progresso. Que progresso? De quem?

Há estudos, há textos, há livros. Não os leem. Para quê, se respostas já temos?

Há, também, o mito. Um não, vários. Sucedem-se. Pobres os que precisam de mitos. Mais pobres aqueles que os defendem como solução mesmo que tenham sido avisados do desastre que fingem não ver. Inocência? Ignorância? Inépcia?

Há chamas. Minas, não há mais, Drummond. Nem florestas, nem respeito. Vide vida que outrora penetrava no coração da terra, que agora em nome do agro se explora. Para quem? Para mim? Você? Não, creio que não.

Há os que se consideram donos inquestionáveis. Malditas três caravelas que encetaram o fim que, aqui, sentados, assistimos pela televisão.

Há luz no fim do túnel? Quem dera soubesse! Há, sim, muitos, que cirandam de lá para cá como se muito fizessem. Tolos de mente agreste.

Há mortos, há crime, há negligência, há conivência. Arroubos de agrura corroerão as futuras gerações aqui de baixo como agora seviciam lá para cima.

Há lidimo na boca do parvo. Quem dera tudo não passasse de piloura.

Texto escrito e enviado por Alexandre Douvan. Acadêmico de Jornalismo na UEPG.

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