(Imagem Ilustrativa)

Não há nada mais belo, puro do que a infância. É pena que nem todos os pequenos guardem em suas memórias todos os bons momentos vividos. Só alguns privilegiados conseguem lembrar de fatos, ter vivas imagens da mais tenra idade. Por isso, cabe aos mais velhos o papel de contadores de histórias, de acumuladores de memórias.

Com o avanço da tecnologia, fotografias e imagens digitais nos permitem guardar numa memória auxiliar um pouco de tudo isso. Mas não há como combinar imagem, cor, cheiro e, principalmente, sentimento num arquivo digital. Ao menos por enquanto.

Quando pequenos, nossos filhos nos imaginam os melhores do mundo, nos admiram e nos adotam como modelo. Confiam em nossos conselhos, na força de nossos braços, na verdade de nossas palavras. Isto nos faz ainda mais confiantes.

Para mim, a fase dos “porquês” foi a mais interessante. Dividir um pouco do que aprendi com um filho não teve preço.

Porém, hoje em dia é difícil manter a confiança dos pequenos. Com o avanço da tecnologia e as facilidades de conexão, se não nos exercitarmos, se não realizarmos bem o nosso papel, podemos ser facilmente, porém indevidamente, substituídos pelo Google ou por um blogueiro qualquer. Eles, geralmente são mais disponíveis do que nós. Estão sempre ali ao alcance, na palma das mãos de nossas crianças.

Então, se seu filho lhe procura para tirar dúvidas ou para ajuda com a lição de casa, celebre! Se nas horas difíceis ele corre para seus braços e lhe pede ajuda, comemore mais ainda!

Há alguns anos, os médicos nos recriminavam por darmos chupeta às crianças quando choravam: o objeto viciante provocava deformações nas arcadas dentárias e prejudicava a fala dos pequeninos. Hoje, a chupeta de borracha e plástico foi substituída por chupetas eletrônicas: smartphones e tabletes, aparentemente bons remédios para os momentos de maior agitação. Por exemplo, antes, quando iam a um restaurante, os pais se revezavam cuidando da criança, quando muito pequeninos. Um distraia a criança enquanto o outro comia.

Hoje, basta colocar para rodar um filme ou desenho animado na telinha e está tudo resolvido, pois as crianças se conectam ao mundo virtual com muita facilidade e agilidade. Mas aí vem problemas como: deficiências visuais, falta de concentração em sala de aula, dificuldades no desenvolvimento motor e até problemas na socialização face-a-face.

Quando deito e lembro de meus filhos, já crescidos e estudando em outras cidades, sinto falta das noites em que dormiam nos meus braços, depois de pedirem para que eu lhes tirasse as caraminholas que os assustavam e os faziam perder o sono, por medo.

As tais caraminholas, que se escondiam na região dos ouvidos, tinha consistência, cheiro e brilhavam. Também faziam barulho quando explodiam num esfregar de dedos.

Depois de localizadas e eliminadas, muitas vezes permitiam um sono gostoso, tranquilo.

Caraminhola de adulto é mais difícil de destruir. O melhor remédio para elas é a amizade, que também devemos conservar com nossos filhos e com aqueles que são importantes em nossas vidas.

Adnelson Borges de Campos
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