Cena do filme Bacurau. (Imagem Ilustrativa)

Sabe quando você assiste um bom filme e pensa: preciso indicar para o maior número de pessoas? Foi exatamente isso que senti depois das duas horas de Bacurau. É tanto sentimento misturado que me faz ter orgulho de ser brasileira e pensar em como somos bitolados por acreditar que o que é de fora é sempre melhor. Lançado em agosto de 2019, a obra foi vencedora do prêmio do Juri no Festival de Cannes e vencedora de melhor filme no festival de Munique, além de ser elogiado em mostras não competitivas em festivais pelo mundo.

Com direção de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, o filme apresenta o cotidiano dos moradores da pequena comunidade de Bacurau, no sertão brasileiro. Toda a obra circula entre a realidade do povoado e o poder da coletividade. Nossa terra, como em muitos momentos da história, mais uma vez é tida como produto de atração. Bacurau é uma cidade fictícia, mas que se encaixa com tantas comunidades espalhadas por todo o nosso país.

Em terra onde todo mundo se conhece, fica fácil de perceber quando as coisas saem do controle. É exatamente essa ação que envolve o drama quando drones sobrevoam a região e alguns moradores – de diversas idades – são mortos sem nenhum motivo. Quem seria capaz disso? E por quê? As respostas surpreendem quem assiste.

Bacurau fala sobre a representatividade daqueles que muitas vezes são conhecidos como os “vagabundos do nordeste”. O longa apresenta a precariedade por serviços básicos de saneamento e a forma que tapamos os olhos para as dificuldades da nossa gente. Bacurau é sobre igualdade, força e confiança em quem de fato se preocupa com o povo. Bacurau é sobre o falso alcance da superioridade. O Brasil em sua mais sincera essência está em Bacurau.

Comentários

Compartilhe:


MATÉRIAS RELACIONADAS
Confesso que solucei de chorar assistindo esse filme
As gotas de chuva e o carpinteiro
Você pode até estar calado, mas seu corpo continua falando