Prismas

Todo poder emana do povo?

(Imagem Ilustrativa)

O artigo segundo da Constituição Federal prevê que “são Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário.”

Basta dar uma olhada nas notícias veiculadas nos últimos tempos para se concluir que a harmonia prevista na Carta Magna do país nem de longe existe neste momento conturbado pelo qual nossas instituições passam.

É triste observar que as questões de crucial importância para a nação tenham que ser decididas na justiça e que essa justiça se equivoque e em determinados momentos pense que pode legislar ou executar. Pobre de nós que temos uma liderança maior incapaz de articulação, de trabalhar em prol do bem comum.

A mesma Constituição define que “todo o poder emana do povo”, mas as lideranças de nossos poderes constituídos preferem acreditar que o povo não sabe do que precisa e insistem que são eles os melhores qualificados para decidir sobre nossos destinos.

Mas será que não temos entre nós pessoas capazes e dignas de confiança para selar o nosso futuro?

O até então pré-candidato Joaquim Barbosa, ao desistir de sua candidatura, aconselhou aos eleitores “que prestem atenção para como funciona a política do Brasil. Somos reféns. Nosso direito de escolha é limitado.”

Quando “escolhemos” um candidato, na verdade recebemos um nome que foi indicado por um partido, dirigido por algum cacique, que por sua vez, na maioria dos casos, é guiado pela vontade de um segmento da sociedade, geralmente com grande poder econômico.

Se alguém que já foi ministro do STF se sente impotente diante do sistema implantado, imaginem a maioria dos cidadãos.

Cada um de nós com certeza já presenciou algum fato, alguma cena de abuso de poder. É incrível o que um título ou posto é capaz de fazer com uma pessoa. Poucos são aqueles capazes de deixar de lado suas vaidades, seus interesses pessoais e realmente exercer uma função pública como deve ser exercida.

Eu tive um professor de Direito Administrativo que exerceu vários mandatos como vereador da cidade em que passei a minha infância e adolescência. Ele dizia ter desistido da vida pública quando o cargo que exercia como vereador passou a ser remunerado.

Muitos, como eu, acreditam que ser político não deveria ser profissão, muito menos uma questão de hereditariedade. É encargo passageiro de quem se compromete a servir, a defender a vontade popular, a de colaborar na definição dos destinos do país.

Representantes de todos os poderes acreditam que devam receber altos salários e vários benefícios para que não sejam corrompidos, quando deveriam, como obrigação, exercer seus mandatos em benefício do coletivo e atuar honestamente. Quando não o fizessem, a justiça deveria atuar exemplarmente.

Tenho a esperança de que o inconsciente coletivo, a união de todos os pensamentos e anseios da população, nos ajude a fazer boas escolhas nas próximas eleições para que os eleitos realmente estejam dispostos a mudar o país. A renovação, caso ocorra, quem sabe nos dê esta alternativa.

Adnelson Borges de Campos
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