Prismas

Todos merecem respeito

(Imagem Ilustrativa)

Escrevo esse texto após ler uma manchete onde se relata que alguns homens invadiram um colégio que abrigaria seções eleitorais e destruíram dez urnas eletrônicas, reviraram o local e deixaram um bilhete: “Vão para o inferno”.

Se os autores do bilhete tivessem assistido as aulas de catequese da minha época, saberiam que o lugar deles no inferno já estava garantido ou que pagariam por seus pecados, se não na Terra, no purgatório.

Dependendo da opção religiosa de cada um, podem me questionar quanto a existência ou não de um lugar para se pagar pelos pecados, mas com certeza era uma forma de ensinar as crianças a diferenciar o certo do errado e de que se devia pagar pelos erros cometidos.

É frequente o registro de invasões a locais de utilidade pública como escolas e postos de saúde, onde os vândalos roubam e destroem o patrimônio público. É difícil de entender o que se passa na cabeça daqueles que cometem tais atos. Nossa sociedade já é carente de recursos para atendimento à saúde, a educação, por exemplo. Por que se destrói o pouco que ainda resta?

Ontem, visitei um cemitério numa cidade vizinha, já que no Dia de Finados eu não poderia estar lá. O lugar estava irreconhecível. Todos os objetos metálicos haviam sido roubados, e os túmulos quebrados. Na maioria dos povos, nas principais civilizações, cemitérios são lugares sagrados, pois são o elo de ligação entre aqueles que já se foram e os que ainda cumprem sua missão por aqui, portanto, devem ser respeitados. A memória de nossos mortos deve ser respeitada.

Um dos túmulos depredados era de um Pracinha que lutou na Segunda Guerra Mundial. Cada um daqueles enterrados lá tinha uma história de vida e de morte, que envolveu sentimentos, erros e acertos.

Mais uma vez me pergunto: o que falta em nossa sociedade? Chego quase sempre a mesma conclusão. O que falta é respeito. O que sobra é impunidade. Falhamos no processo educacional.

De nada adianta um arcabouço de leis, que se dizem perfeitas do ponto de vista jurídico se não conseguimos ensinar ao cidadão os princípios de ética e de justiça. Se não os fazemos entender que um crime que se comete contra a sociedade se reverte contra o próprio infrator, não pela aplicação de penas, mas pela falta do serviço quando ele mesmo precisar. Mas ainda, afeta inocentes que nada tem a ver com as angústias ou revolta dos infratores.

Estamos errando na educação de nossos filhos e alunos. Pecamos na formação religiosa, já que a fé, os ensinamentos recebidos de qualquer ramo religioso, na sua essência, pregam o respeito à vida e à morte (como no caso dos cemitérios).

Num passado não tão distante, as pessoas temiam a Deus e a Justiça. Hoje, os desprezam, fazem pouco nas redes sociais e em pseudomovimentos de livre expressão do pensamento. Quando não integrados à sociedade, agem como vândalos e assassinos.

Estamos prestes a começar um novo ciclo em nosso País, quem sabe consigamos resgatar o respeito mútuo e fazer dele a base de nossas conquistas. Para resgatar nossa sociedade, precisamos reconquistar a confiança em nossas instituições e a dignidade de nosso povo. A família, a escola e a religião continuarão sendo essenciais neste processo. O exemplo de nossos líderes também.

Adnelson Borges de Campos
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