(Foto: Imagem Ilustrativa)

Quando escrevia este texto, a assessoria de imprensa da Secretaria de Saúde do Paraná confirmava a fala do Secretário que anunciava um toque de recolher em todo o Paraná, em período que ainda seria definido.

Todos nós sonhávamos com um final de ano mais tranquilo e, quem sabe, poder dar um abraço bem apertado nas pessoas que queremos bem. Talvez ainda possamos, mas será bem mais difícil. Mas há formas alternativas de demonstrar carinho, fé e gratidão.

Passamos meses e meses tentando um certo controle e, no nosso Estado do Paraná, conseguimos driblar a superlotação de UTIs e com isso reduzir um pouco o número de mortes. Mas bastou os indicadores melhorarem um pouquinho e não conseguimos segurar a nossa ansiedade, principalmente a dos mais jovens.

Resultado: hospitais superlotados, pronto atendimentos sobrecarregados e mais mortes. Fala-se em segunda onda da Covid-19. Talvez seja, mas aposto mais na nossa incapacidade de gerenciar a nossa ansiedade e de nos unirmos com um único objetivo, de frear a onda em andamento.

Continuamos tentando encontrar culpados para o crescimento da pandemia, acusamos, mas não fazemos a nossa parte.

É certo que a humanidade continua egoísta e busca o atendimento dos interesses individuais, políticos e econômicos. A vacina é vista por alguns apenas como uma moeda e tentam valorizá-la. Outros preferem torná-la um instrumento político e sonham em criar uma nova Guerra Fria, mesmo não tendo “bala na agulha” para uma disputa e colocam em risco uma nação.

Deveríamos já estar pensando em como criar um plano de vacinação, mas transferimos mais uma vez a decisão para o judiciário que precisará definir se será obrigatória ou não e vamos deixar para ter um plano depois que as vacinas sejam aprovadas. Onde estão os nossos representantes que têm o dever de decidir o que é melhor para a população?

Será que é difícil de ver que o risco de aplicar uma vacina com 95% de efetividade é muito menor do que deixar as pessoas a própria sorte? E quando as vacinas estiverem disponíveis, quem serão os primeiros a ter acesso? Mas isto não parece ter importância e, com certeza, os mais prejudicados serão os menos favorecidos. O Governo Federal não prevê vacinação para toda a população em 2021.

Assim, o que nos resta é tentar chegar vivos a 2021 e encontrar uma forma de comemorar mais um Natal neste 2020. É certo que em todos os anos temos algumas pessoas queridas que não estão entre nós e que já passaram para um outro plano, mas neste ano, caso tivéssemos nos esforçado um pouco mais, muitos ainda estariam por aqui.

Que tudo isso sirva como aprendizado e, se sobrevivermos, possamos construir um mundo melhor.

Guardemos as nossas forças e nossas energias para que em 2021 o Natal seja ainda mais iluminado, festivo. Também não devemos deixar de agradecer por termos vencido algumas batalhas, mas ainda há muita guerra pela frente. Guerra sem pólvora, sem medo, sem ódio. Guerra feita de coragem e cooperação.

Ainda temos três semanas para o Natal, tempo suficiente para que possamos reverter mais uma vez a tendência da curva de contaminação e de mortes.

Coisas simples como evitar aglomerações e escolher os melhores horários para compras ou para apanhar o transporte coletivo já ajudam. Manter os hábitos de higiene e de uso da máscara também.

Que possamos, ao final do ano, brindar ainda mais forte: saúde!

Adnelson Borges de Campos
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