Sede da Petrobras/SIX em São Mateus do Sul. (Fotos: Alexandre Douvan/Gazeta Informativa)

Às 10h55 do dia 22 de janeiro, um trabalhador terceirizado da Petrobras em São Mateus do Sul sofreu um acidente no qual a correia de um dos equipamentos lesionou seu braço esquerdo entre o punho e o ombro. O homem estava trabalhando como mecânico de manutenção, contratado pela Manserv. A reportagem não conseguiu contato direto com ele, que está em recuperação, então seu nome não será mencionado por enquanto.

A Gazeta Informativa teve acesso aos documentos que comprovam o acidente. De acordo com a CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho) emitida ainda no dia 22 de janeiro, ocorreu uma laceração contusa no braço do trabalhador. De acordo com o atestado médico, o atendimento aconteceu às 11h30 e o trabalhador deverá passar ao menos 30 dias em recuperação.
“O trabalhador está afastado das atividades que exercia na Petrobras/SIX e passará por cirurgia no braço para recuperar, ou tentar recuperar, as funções tragicamente interrompidas”, explicam dirigentes do Sindipetro, que preferiram não se identificar.

Contudo, o acidente não foi uma surpresa para ele e para um técnico em segurança no trabalho que também pediu para sua identidade não ser revelada. Eles consideram ser imprescindível a atuação de ao menos dois Técnicos em Segurança (TS) por turno, além de melhoria geral no efetivo de trabalhadores para evitar sobrecargas de trabalho.

Trabalhadores pediam mais segurança dois dias antes do acidente

O que chama atenção nesse caso é que dois dias antes do acidente, trabalhadores fizeram um comunicado à direção geral da empresa solicitando melhores condições de trabalho no local. Na comunicação do Sindipetro foi considerada “imprescindível” a atuação de ao menos dois Técnicos de Segurança por turno para garantir a segurança das operações. No momento do acidente havia apenas um técnico trabalhando.

A unidade Petrobras SIX de São Mateus do Sul teve o desfalque de dois técnicos em segurança, que se afastaram das atividades por contraírem a COVID-19. No comunicado o sindicato diz que “optar por apenas um técnico em segurança implica, de maneira irresponsável, aos gestores da UO-SIX, assumir potenciais riscos à saúde e/ou segurança dos trabalhadores, instalações, meio ambiente e comunidade ao entorno”.

O comunicado teve objetivo inicial de reivindicar melhores condições sanitárias e de trabalho durante a pandemia após o falecimento do servidor Ederson Luiz de Lima, vítima da COVID, em 13 de janeiro. É finalizado com o destaque de que o contrato de bombeiros civis para atuar na unidade, em substituição ou em vez de técnicos de segurança, não sana o problema do risco às operações, uma vez que os bombeiros não contam com o conhecimento e atribuições de um técnico.

Um dos ouvidos pela reportagem atua na Petrobras há mais de 10 anos na área. Ele lembra que a presença de ao menos dois técnicos por turno seria necessário, uma vez que os trabalhadores da SIX atendem a empresa, mas também prestam apoio aos bombeiros em ocorrências de incêndio.

“Em uma ocasião em que você pode estar dando apoio externo aos bombeiros pode pegar fogo ali dentro da área ou acontecer um acidente”, explica, sobre a necessidade de dois técnicos, pois enquanto um presta apoio externo, outro fica para dar atenção a qualquer ocorrência dentro da área.

Especificamente sobre a atual situação da SIX, apontam que a presença de dois técnicos por turno possibilita que um deles faça a parte burocrática – preenchimento de documentos – enquanto o outro realize as inspeções e liberação de serviços. A redução de efetivo também se dá entre os terceirizados. “Não é só a questão do técnico de segurança próprio [da SIX], também há redução de efetivo dos terceirizados. Se tivesse alguém acompanhando, não teria acontecido esse acidente, o cara não teria chegado perto, teria esperado parar o serviço para começar a manutenção”, explica.

A investigação do acidente ainda não foi realizada para que se possa definir se o caso poderia ou não ter sido evitado. No entanto um dos membros do sindicato que representa os trabalhadores da Petrobras no Paraná aponta que “a presença de técnicos de segurança, em números suficientes, na rotina operacional da unidade é de considerável importância, em especial para trabalhos de maior complexidade, exemplo da manutenção em transportador de correias, por avaliar todos os riscos envolvidos nas tarefas”.

A recomendação do trabalho de ao menos dois técnicos de segurança por turno se dá por conta do acidente fatal ocorrido em 2004. Os membros do Sindipetro consideram a defasagem de profissionais da segurança como algo “irresponsável” por parte da empresa.

“Atualmente aguardamos o início da investigação do acidente, exigência legal, para participarmos e, mais uma vez, reforçar a importância de profissionais de segurança devidamente habilitados para evitar futuros acidentes e danos aos trabalhadores e ao meio ambiente, respectivamente”, conclui um deles.

Um dos ouvidos também elenca que a pressão por produtividade e o menor número de pessoas trabalhando em diversas funções faz com que os funcionários queiram adiantar serviços e por vezes não esperam as máquinas pararem totalmente de funcionar para iniciar a manutenção. Caso todas as atividades fossem vistoriadas pelos técnicos de segurança, essas ações dificilmente ocorreriam.

Outras reivindicações de segurança

Outra reivindicação, diretamente associada à falta de técnicos de segurança, é a falta de efetivo mínimo da Brigada de Emergência da SIX conforme exigência da ABNT NBR 14276. Os dois trabalhadores ouvidos alegam que no papel está tudo conforme a legislação, mas que na prática faltam funcionários para compor o quadro da maneira correta.

“Não há efetivo mínimo de brigadistas principalmente com a redução de um técnico de segurança por turno”, descreve um deles. Como informado por uma das fontes, se há apenas um técnico de segurança trabalhando, as operações de trabalho ficam sem cobertura enquanto é prestado apoio à emergência.

Além de avaliar todos os riscos envolvidos em uma determinada tarefa, os técnicos compõem e planejam a Brigada de Emergência. Esta, responsável por realizar as primeiras tratativas de combate a emergências, e hoje, “encontra-se desfalcada quanto a pessoal e treinamentos”, destaca.

A palavra da gerência da unidade

A Gazeta Informativa tentou contato com a gerência da Petrobras SIX por meio do telefone 3520-7200, número disponibilizado na internet, mas em nenhuma das vezes a ligação foi completada.

Mesmo após o fechamento desta reportagem seguimos tentando contato com a empresa para que tenha assegurado o espaço para fazer os devidos esclarecimentos.


ATUALIZAÇÃO, 16h30, 11/02/2021

            Petrobras emite nota sobre o acidente ocorrido na SIX

Na edição 295, publicada na página 3 da Gazeta Informativa você leu uma reportagem na qual trabalhadores da instituição pediam melhores condições de segurança no trabalho após a ocorrência de um acidente. Na ocasião um trabalhador terceirizado teve o braço lacerado em uma correia. Até a publicação da reportagem não havíamos conseguido contato com a direção da empresa para os esclarecimentos necessários.

No dia 10, a empresa enviou ao jornal uma nota na qual afirma o compromisso da Petrobras com a saúde dos trabalhadores. Leia na íntegra:

Em relação à reportagem publicada na edição de 5 de fevereiro, a Petrobras reforça que o respeito à vida é valor inalienável para a companhia e que todas as suas operações são realizadas colocando sempre a segurança de todos os seus colaboradores em primeiro lugar.

O acidente zero é o objetivo da Petrobras e, para tanto, além do pleno atendimento às normas e disposições legais, a companhia adota rigorosos padrões e procedimentos de segurança para suas atividades e dispõe de programas robustos de reforço de ações proativas com foco em saúde, segurança e meio ambiente. Um exemplo é o programa “Compromisso com a Vida”, que consiste em um conjunto de iniciativas com foco na prevenção de acidentes e na preservação da vida e do meio ambiente.

Esse programa reforça, dentre outros, aspectos como o compromisso da liderança, a capacitação da força de trabalho, fiscalização de serviços contratados, análise de risco de tarefas e instalações, disciplina operacional, conformidade com procedimentos de operação, inspeção e manutenção e profunda abordagem em Fatores Humanos. Também faz parte do programa o entendimento e a aplicação das 10 Regras de Ouro de Segurança da Petrobras, que orientam sobre atitudes, comportamentos e cuidados aplicáveis às atividades operacionais no dia a dia.

Entre estas regras, para as quais todos os colaboradores são treinados e devem seguir em todas as atividades laborais, estão o bloqueio de energias (parada completa e segura do funcionamento de equipamentos antes de qualquer tarefa de manutenção) e o posicionamento seguro.

Para identificar as causas que resultaram no evento a que se refere a reportagem, que ocorreu após 572 dias sem acidentes com afastamento na SIX, foi formado um grupo multidisciplinar para a investigação, composto por profissionais de segurança, por especialistas da área técnica e por representantes da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA) e do Sindicato dos Trabalhadores.

A Petrobras coloca-se 24 horas à disposição da comunidade e da imprensa, todos os dias, inclusive sábados, domingos e feriados, para esclarecimento de dúvidas e busca por informações por meio de seu canal de contato geral (0800 728 9001) e canais específicos voltados aos veículos de comunicação, divulgados no site de notícias da Petrobras: www.agenciapetrobras.com.br

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