Mais de 2 mil crianças, jovens e adultos passaram pelo trabalho social que acontece há 19 anos no município. As aulas são gratuitas e acontecem semanalmente nas dependências do CEPE. (Fotos: Gazeta Informativa e Acervo Pessoal)

Quando o batuque do atabaque começa e os amigos se unem na roda de capoeira, o ritmo contagia quem está por perto. Não importa a idade, gênero ou classe social: o que importa é o respeito e a igualdade entre todos os participantes. “A capoeira é um diálogo de corpos, onde eu venço meu adversário quando ele não tem mais respostas para as minhas perguntas”, enfoca o Mestre Pastinha, referência no esporte genuinamente nacional.

Os gingados, aprendizados e instrumentos musicais fazem parte da realidade da Associação Desportiva e Cultural Mangangá com filial em São Mateus do Sul, que é responsável pelo trabalho social que vem mudando a realidade de crianças, jovens e adultos do município há 19 anos. Além da capoeira, o grupo é responsável por ensinar jiu-jitsu gratuitamente para os alunos, que encontram-se semanalmente no Clube dos Empregados da Petrobras (CEPE), para aprenderem novas técnicas e mudarem de vida.

Tudo começou quando o professor e educador físico Fabiano Pacheco Albin, popularmente conhecido como Aranha, iniciou as aulas de capoeira no Oss Karatê aos 14 anos de idade. “A capoeira passou a se tornar uma válvula de escape para mim”, garante. Com o passar do tempo e também com o aperfeiçoamento na modalidade esportiva, aos 21 anos o são-mateuense decidiu expandir o conhecimento adquirido nas aulas de capoeira e fundou em São Mateus do Sul o Grupo de Capoeira Afro-brasileira (GCAB) – hoje Mangangá –, na comunidade da Vila Bom Jesus, reunindo jovens interessados em aprender e conhecer o esporte. “Eu utilizava o ginásio emprestado e ia todo sábado, faça chuva ou sol, para as aulas”, relembra o professor. Para participar do grupo o critério utilizado – e que é priorizado até hoje –, são as boas notas escolares e o não envolvimento com drogas.

Como um boa ação gera uma repercussão positiva, alunos de outros bairros da cidade passaram a fazer parte do grupo, que já foi sediado no Ginásio da Escola Municipal Pedro Effco, Ginásio Municipal de Esportes Olívio Wolff do Amaral (Polacão) e Centro da Juventude. Hoje, o grupo realiza uma parceria com o CEPE que cedeu o espaço gratuitamente para o trabalho voluntário desde dezembro de 2018.

Além de enfocar o esporte nacional, o grupo também realiza aulas de jiu-jitsu para garantir aos jovens uma nova oportunidade na área esportiva. “Para fazer as aulas de jiu-jitsu o aluno precisa ser capoeirista”, explica o professor. O grupo já participou do Campeonato Paranaense de Jiu-jitsu com 10 atletas, totalizando 7 campeões e 3 vices no ano de 2016, todos vindos das aulas do trabalho social. O grupo se mantém em pé graças a mobilização de alunos, pais e professores voluntários como Alexandre Mendes (Carazinho). Eles conseguiram as doações de kimonos e demais instrumentos utilizados para as aulas – tanto de capoeira quanto de jiu-jitsu. “Atualmente o projeto não possui nenhum apoio financeiro, tudo que conseguimos foi com o nosso esforço e dedicação. Toda ajuda é bem-vinda”, afirma Aranha. Para colaborar com o grupo, você pode entrar em contato com o professor Aranha no telefone (42) 98809-2373.

Já passaram pelo Mangangá mais de 2 mil alunos entre crianças, adolescentes e adultos, e hoje cerca de 40 são-mateuenses frequentam as aulas, que acontecem semanalmente, nos seguintes horários: Capoeira – segunda às 20h30 e sábados às 14h30; Jiu-jitsu – quarta às 20h30 e sábados às 16h. As aulas são gratuitas e acontecem no CEPE. “Não basta combater o mal, é necessário investir no bem. Eu mudei a minha vida e estou tentando melhorar a vida de mais pessoas através da área esportiva”, expressa Aranha.

A Associação Desportiva e Cultural Mangangá de São Mateus do Sul também trabalha com aulas gratuitas de jiu-jitsu para alunos capoeiristas.

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