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Tropeçando na história: Fóssil é encontrado na comunidade de Tesoura

Fóssil encontrado na comunidade de Tesoura, em São Mateus do Sul. (Foto: Rafael Brusque Toporowicz)

São Mateus do Sul é uma cidade com poucos anos de vida. São apenas 110 anos de existência de nossa pequena cidade às margens do imponente Rio Iguaçu. Mas a história do lugar que vivemos remonta a milhões de anos, e por aqui já viveram índios, que deixaram suas marcas escondidas pelos campos, e antes deles, feras pré-históricas que vagavam em um lugar que viria a ser nossa cidadezinha.

Eventualmente, podemos encontrar alguma parte dessa história perdida pela cidade. Em alguns locais do interior, com roças abertas onde antes habitavam os indígenas, é possível encontrar ferramentas e até itens de cerâmica desses povos que aqui habitaram.

Mas para encontrar resquícios das feras do passado, é preciso ir mais fundo, pois essa história de milhões de anos atrás foi sendo sedimentada sob várias camadas de xisto, calcário e terra. Porém, graças às nossas estradas não pavimentadas, partes dessa história aflora quando o poder público faz serviços de correção das estradas da cidade e do interior.

É o caso de um fóssil bastante preservado de um Mesossauro, réptil que foi extinto a cerca de 283 milhões de anos. Essas pequenas feras habitaram nossas terras e águas antes mesmo dos dinossauros grandes, como os Tiranossauros habitarem o planeta. A espécie do bichinho, que se assemelhava a um lagarto grande, com cerca de um metro de comprimento, é Mesosaurus tenuidens. Esse réptil extinto foi encontrado pela primeira vez em 1908, por um pesquisador em Goiás.

Pequeno réptil de água doce o Mesossauro era, graças ao seu corpo hidrodinâmico e completamente adaptado para nadar, um eficiente predador. Seus fósseis foram achados em continentes diferentes, provando que no passado havia apenas um supercontinente. Local onde viveu: Brasil e África.

Fósseis desses mesmos animais também são encontrados na África, principalmente na região sul do continente, o que ajuda a explicar a existência do supercontinente de Pangeia, que se dividiu, separando a América da África há milhões de anos.

Para encontrar esse pequeno fóssil, achado no dia 10 de outubro de 2018, em uma estrada da região da Tesoura, interior de São Mateus do Sul, bastaram alguns minutos olhando para o chão. Logo, os pequenos ossos do animal, que fossilizaram há milhões de anos e nunca mais haviam visto a luz do sol, apareceram.

Infelizmente, o processo de fossilização raramente deixa o fóssil completo, e, quando deixa, no momento da extração do calcário, com dinamitação e depois processamento para reduzir o tamanho das pedras, acaba fragmentando o que sobrou desses animais.

Além dos répteis, é possível encontrar fósseis de peixes, folhas e galhos de árvores, insetos e outros tipos de vida que habitaram nossa região milhões de anos antes deste texto ser escrito, basta olhar para baixo.

O fóssil foi doado à Casa da Memória.

Texto de Rafael Brusque Toporowicz

Redação do jornal Gazeta Informativa

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