Reflexão com Padre Marcelo S. de Lara

Um agir missionário e alegre

Em nosso artigo do dia 22 de setembro, pudemos analisar como a Igreja busca também nesses novos tempos Ver e Julgar a realidade para melhor atuar no mundo. Após feito isto, entra o momento do Agir neste e para este mundo.

O Papa Francisco em sua Exortação Apostólica Evangelii Gaudium, convoca toda a humanidade para uma sensibilidade ao outro. De modo ainda mais especial, aos cristãos que possuem este sentimento motivado e alimentado pela experiência do Evangelho. O Cristão que faz esta experiência, que sente sua vida diferente, ele sente o desejo, a alegria de levar isso a outros. Também aqueles que não são cristãos, podem ser tocados e aprender com o testemunho que o cristão dá no mundo.

Isto se reflete em questões práticas do dia a dia: nos relacionamentos, nas atividades que exercemos, nos valores que promovemos. Atitudes como acolhimento, tolerância, respeito ao diferente, estar a serviço, promover uma cultura de paz e olhar para os mais pobres e necessitados é que fará a diferença e que tornará o mundo melhor.

No tocante a atenção especial dada aos mais necessitados, a chave de leitura está na atitude do próprio Deus, que se fez pobre, viveu pobre, levando uma vida simples, a vida dos mais humildes. Por isso diz Francisco que tal mensagem é tão clara que, “nenhuma hermenêutica eloquente eclesial tem o direito de relativizar” (EG. §194).

A promoção do Evangelho, a construção do Reino, se dá por meio desta ações. É importante também ressaltar que, a salvação é sempre uma ação de Deus e não do evangelizador sozinho, mas tais atitudes são a abertura para que esta salvação aconteça.

A Igreja no mundo atual tem esta missão de transformar a realidade, formar as mentalidades para um cultura de paz, uma cultura solidária. O testemunho dos cristãos deve cativar o outro, fazendo-o ver que, quem vive a cultura do Evangelho é feliz, vive com esperança ainda que passe por tribulações.

A Igreja tem hoje um papel diferente dos tempos que doutrinava, que apontava de modo impositivo regras de moral, de conduta. Ainda que estando na sua função, a pedagogia hoje a ser aplicada não cabe aos esquemas passados. É preciso um novo modo de evangelizar, um novo modo de estar em missão, de estar no mundo.

No mundo de hoje, o papel de estar junto, de acolher, de ouvir, vem antes do que primeiro evangelizar com a doutrina. Francisco diz que o evangelizador antes mesmo de evangelizar precisa primeiro falar e viver a paz, a qual é ponto unânime e pacífico para todas as culturas. É à partir de um ponto em comum que se começa e se constrói um diálogo onde se caminha juntos rumo à Verdade. Evidentemente, como reforça o pontífice, a Igreja passaria a dar um testemunho maior, se conseguisse superar as suas divisões, ainda que esteja em caminho nesse processo.

Em nosso próximo artigo, falaremos um pouco mais do papel do cristão no mundo de hoje.

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