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“Pegarás mais moscas com uma colher de mel do que com cem barris de vinagre”. Assim falava François de Sales ou, para nós brasileiros, Francisco de Sales, nascido de pais nobres na França em 1566, ao discorrer sobre a gentileza. Na sua visão, não haveria na terra nada além dela mais justo ou melhor para “amolecer” os corações, pois se assim não fosse, Cristo mesmo nos teria ensinado e, no entanto, “Ele nos deixou apenas duas lições para guardarmos: a mansidão e a humildade de coração”, registrou.

Num primeiro momento, podemos considerar que as pessoas que nos direcionam palavras dessa natureza são naturalmente mansas desde o seu nascimento, e nenhum esforço lhes é necessário para conter-se frente àqueles que venham a maltratá-las. Mas, o próprio Sales é um exemplo de alguém que travava uma luta constante contra a ira, coisa que se manifestava em sua personalidade desde a infância. Em suas memórias encontra-se que, ainda na juventude, era comum o sangue lhe subir à cabeça pelas brincadeiras ou humilhações, mas conseguia se conter de tal forma que muitos nem imaginavam o seu mau gênio. Não deixa de ser um bom incentivo para abandonarmos nossas possíveis “síndromes de Gabriela”, quando justificamos nossos defeitos cantarolando que “eu nasci assim, eu cresci assim, eu sou mesmo assim, vou ser sempre assim…”, ao invés de nos esforçarmos em sermos melhores.

Doutor em direito e teologia, Sales foi ordenado padre mesmo sob a recusa inicial de seu pai. Ativo na evangelização, passou por muitas ameaças de morte e o que mais surpreendia as pessoas era a sua extrema gentileza, sempre indiscriminada. Mestre da direção espiritual, muitas foram as suas obras, sendo a mais famosa o livro “Filoteia”, preenchido de inumeráveis e preciosos conselhos. Neste manual prático de como se viver na confusão das cidades, lê-se: “Não nos aborreçamos, pois, nem briguemos uns com os outros ao longo do caminho; marchemos com o grupo de nossos irmãos e amigos, doce, pacífica e amigavelmente, e digo-te com toda a clareza e sem exceção alguma: não te irrites nem muito nem pouco, se possível for, e não admitas nenhum pretexto, qualquer que seja, para abrir a porta do teu coração à cólera. É preciso realmente resistir ao mal e reprimir os vícios dos que estão sob a nossa dependência. Nada aplaca tanto o elefante irado como a vista de um cordeirinho, e nada quebra tão facilmente a força da artilharia como a lã”. São mesmo palavras admiráveis, principalmente se as realizarmos no contexto atual. Se o mundo já era de pouca paciência antes da internet, com as redes sociais testemunhamos uma crescente disparada de insultos, seja entre conhecidos ou desconhecidos. Registrar nossas opiniões pode ser algo desagradável, principalmente no campo político ou contrária a algo que o senso comum tomou como correto.

Por fim, Sales tornou-se São Francisco de Sales em 1665 e o seu dia é comemorado no dia de sua morte, 24 de janeiro. Foi em 1923 que Pio XI o proclamou patrono dos jornalistas e escritores pois ele soube utilizar muito bem dos recursos da sua época, sobretudo da imprensa ao escrever panfletos e divulgar livros a fim de tocar os corações. Ficou conhecido como o “Santo Cavalheiro” ou o “Santo da Amabilidade”.

“Ademais, quando estás sossegado e sem nenhum motivo de ira, trata de fazer grande provisão de doçura e magnanimidade, dizendo todas as tuas palavras e fazendo todas as tuas ações, pequenas e grandes, da maneira mais suave que te seja possível” (Filoteia, pág 180).

Que as efemérides da vida nos ajudem a construir dias sempre melhores. Um cordial abraço!

Ingrid Ulbrich
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