(Imagem Ilustrativa)

Há algumas colunas atrás, prometi contar a história de um outro rei fascinado pelo azul. Pois bem, pesquisei sobre a veracidade dos fatos ou algum registro da história e não encontrei. Não sei se foi sonho meu ou se foi a dificuldade com a língua que me atrapalharam, então vou contá-la como uma lenda. Se alguém conhece a história ou tem uma fonte, peço que me repassem.

Em Paris, no coração da Ilha de La Cité, que reúne alguns dos principais monumentos medievais da cidade, está a Sainte Chapelle, joia da arquitetura gótica. Ela foi construída durante o reinado de Luís IX (rei santificado pela Igreja Católica), entre 1242 e 1248, para abrigar as Santas Relíquias da Paixão de Cristo. Entre elas, a Coroa de Espinhos (hoje na Catedral de Notre Dame) e um pedaço da madeira da cruz.

Concebida para ser um relicário gigante, a Sainte Chapelle é, ao lado da Catedral de Notre Dame, a mais perfeita obra da Idade Média.

Quando se visita a Capela, tanto na sua parte inferior quanto superior, o que mais impressiona são seus vitrais. Quase não se percebe a estrutura que sustenta a capela superior, o que destaca ainda mais o seu teto abobadado, também belo.

É incrível a quantidade de luz que as janelas permitem passar, destacando, entre as outras cores, um azul incrível.

Quando o rei decidiu construir a igreja e outras obras na capital francesa, queria transformar o país num dos maiores centros religiosos do Cristianismo. Falava em construir uma nova Jerusalém no coração da Europa. Então, encomendou as obras, entre elas a da Sainte Chapelle.

Nesses quase 800 anos, a capela e seus vitrais resistiram a duas grandes guerras e várias catástrofes, entre incêndios e inundações. Nas guerras, os vitrais chegaram a ser retirados para que não fossem destruídos, depois recolocados.

As informações a seguir, por falta de memória, seguem a minha crença, no que penso ter ouvido.

Na França e em outros países europeus há vitrais fantásticos. O rei queria para os seus vitrais um azul único, que não pudesse ser igualado.

Então, procurou um vidreiro qualificado, pagou-lhe um bom dinheiro e isolou-o no trabalho até que as janelas ficassem prontas. À medida que os vitrais eram aplicados, o rei teve a certeza de que eram únicos, esplendorosos, dignos de sua obra.

Ao final, o rei convidou o vidreiro para uma celebração. Comeram e beberam. Depois, lhe fez algumas perguntas:

– O azul dos vitais é um azul único?

– Sim, majestade. Não há no mundo algo parecido?

– Há alguém mais, além de você e da sua equipe que conhecem a técnica para produzi-lo?

– Não, meu Senhor, não há mais ninguém.


No mesmo dia, para que seus vitrais continuassem únicos, o rei ordenou a morte do vidreiro e de seus ajudantes.

Pode ser que esta história não seja real, talvez tenha um pouco de veracidade, mas na história mundial temos vários exemplos de mandatários que em nome da preservação de uma crença, da afirmação de um regime ou por loucura mesmo, destroem vidas em nome daquilo que acreditam, por se enxergarem como seres superiores. Muitas vezes os eliminados foram aqueles mais próximos, que confiavam nos governantes

As histórias contadas precisam ser verossímeis, mas a vida, a história real parece não ser.

Adnelson Borges de Campos
Últimos posts por Adnelson Borges de Campos (exibir todos)

Comentários

Compartilhe:


MATÉRIAS RELACIONADAS
Somos livres para escolher
Um único time
O novo vírus e a linguagem