(Acervo Pessoal)

Quando eu era criança, o domingo era o dia da semana de que mais gostava, sem sombra de dúvida. Acho que nem era percebido por mim na época, é algo que me dei conta na vida adulta. A saudade faz isso com a gente, de uma hora para outra, coisas simples do passado tornam-se aquilo de que mais sentimos falta e entendemos o quanto foram importantes, principalmente na formação do nosso caráter.

O dia começava com a ida à missa. Não me recordo ao certo se íamos todas as vezes à pé, o fato é que não esqueço algumas caminhadas de nossa casa na Vila Prohmann até a Igreja São Mateus. Engana-se quem possa vir achar que eram cansativas, muito pelo contrário: considerava aquilo tudo muito divertido, o que fazia o tempo correr. Colhia florzinhas pelo caminho, daquelas amarelinhas, os tais dentes-de-leão, ou umas rasteiras de cor roxa que não sei o nome. Essas eram, as que minha mãe dizia, que eu podia pegar, porque não se arranca flores das casas das pessoas. Uma grande lição.

Após a missa, batíamos o ponto na Banca do Nadolny. Meu pai comprava discos das bandinhas alemãs e me recordo de vê-los colocando um e depois outro no “toca-discos” para ouvir as músicas e escolher a nova aquisição. Tínhamos uma vitrola, que era acoplada à um rádio, com duas caixas de som laterais, e que, ao mesmo tempo, se tornava um móvel de madeira na sala. Dava pra colocar vários discos de uma só vez e eu gostava de ver o próximo cair e a agulha escorregar pra começar uma nova sequência de músicas. Se você conhece as bandinhas, sabe que o dia seguia bem animado.

Domingo também era dia de pudim no almoço, minha mãe não deixava passar sem essa sobremesa. E, também acho que não seria domingo, se o dia não terminasse com as nossas risadas em torno da TV, assistindo “Os Trapalhões”. Acredite, assistir qualquer programa de humor com meu pai, torna tudo muito mais engraçado. Mas, o que mais eu gostava era poder brincar com ele aos domingos e desfrutar daquela paz ao longo do dia. Afinal, durante toda a semana se trabalhava muito, porque apesar dele ter seu emprego, nunca deixou de cultivar a terra. Chegava do trabalho e iniciava uma nova jornada na sua plantação até o sol se pôr. No entanto, o domingo era sagrado, era o dia do Senhor, era o dia do descanso. Eis aí, outra grande lição.

Todos nós temos nossas lembranças e saudades, nossas histórias e nossas lições. Trouxe a minha história para que, através da figura de meu pai, essa coluna pudesse homenagear a todos os pais. Uma família é dom de Deus. A paternidade deve ser entendida não somente sob o aspecto biológico, mas, principalmente de forma espiritual e psicológica, pois, a sua influência é fundamental para o desenvolvimento de uma pessoa. Atualmente, vários são os ataques que a unidade da família vem recebendo, tentando fragmentá-la, e uma delas é tentar eliminar a figura masculina do pai. No entanto, serão os filhos os maiores prejudicados.

Para quem ficou na dúvida e pretendeu saber quem é este meu pai, vale conferir a foto desta coluna. Este é o Alemão, 81 anos, dedicado a Deus, trabalhador incansável, marido da senhora das rosas (que já nos deixou) e um pai zeloso e exemplar.

Um feliz dia a todos os pais, recebam o meu cordial abraço! E que as efemérides da vida nos ajudem a construir dias sempre melhores!

Ingrid Ulbrich
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