Os Caminhos do Desenvolvimento

Um milagre brasileiro

“Tudo isso é uma soma de esforços”, é o que diz o atual vice-prefeito do município de Extrema, MG. A pequena cidade mineira com trinta mil habitantes conquistou no final de 2015 o primeiro lugar do Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal, a primeira vez que uma cidade de fora dos limites do estado de São Paulo alcança este feito. O IFDM é um estudo do Sistema FIRJAN que acompanha anualmente o desenvolvimento socioeconômico de todos os mais de cinco mil municípios brasileiros em três áreas de atuação: Emprego & renda, Educação e Saúde. Criado em 2008, teve sua metodologia aprimorada em 2014 agregando os novos desafios ao situar o Brasil no mundo. A necessidade de se voltar para fora do país foi a de buscar padrões de desenvolvimento encontrados nos países mais avançados, utilizando-os como referência para os indicadores municipais.

A mudança do destino de Extrema se iniciou no final da década de 80. Sem dinheiro, sem crédito e com muitas dívidas, a administração municipal foi assumida por um prefeito que em um ano colocou a casa em dia e nos outros três trabalhou para aumentar a arrecadação municipal. De que forma? A cidade se transformou em um polo industrial, através de uma agenda estratégica com foco em indicadores sociais e em projetos de meio ambiente e desenvolvimento social. Outra questão importante foi a contratação de uma equipe técnica para colocar o projeto em prática e isto só pôde acontecer após a administração ter recursos financeiros para tal. Além disso, o secretariado era composto por profissionais técnicos de acordo com suas respectivas áreas, portanto sem acordos políticos pré-eleitorais.

Em relação a 2002, a arrecadação de ICMS de Extrema havia subido nove vezes em 2015, somando quase R$ 70 milhões somente do imposto e o orçamento do município que fechava em R$ 150 mil por mês na década de 80, hoje é de R$ 12 milhões por mês. Com foco naquilo que as empresas buscam para escolher o local onde instalar suas unidades, houve grande preocupação da prefeitura em oferecer, além de isenção de tributos locais e uma boa logística, uma infraestrutura adequada, nas áreas da educação e saúde, por exemplo, além de alguns projetos na área do meio ambiente, tornando a cidade muito atrativa por oferecer qualidade de vida aos seus moradores. Esse foi um dos fatores decisivos para a japonesa Panasonic se instalar em Extrema em 2012 e criar 700 postos de trabalho.

Nesse caso em especial, Extrema foi uma cidade de sorte. Houve uma alternância de prefeitos nas últimas três décadas somente entre duas pessoas, as quais deram continuidade ao projeto iniciado em 1989, sem rupturas de trabalho entre as administrações. Aos ouvidos de alguns, isso pode soar estranho, mas o fato é que isso contribuiu para o sucesso da cidade. Já a maioria dos municípios brasileiros não conta com esse “milagre” e infelizmente o que se vê é a alternância apenas de poder político com o cessar de projetos em andamento ou com a herança de dívidas fruto de uma má gestão. São nesses casos que os conselhos de desenvolvimento econômico criados pela sociedade civil organizada estão entrando em ação em muitas cidades brasileiras, trabalhando em parceria com a prefeitura, estudando, formulando e acompanhando a realização de um plano de desenvolvimento com vistas em um futuro a longo prazo. A boa notícia é que São Mateus do Sul já criou recentemente o seu Núcleo de Desenvolvimento e Empreendedorismo – NDE – porque milagres não acontecem todos os dias e nem em todos os lugares. E esperar é coisa do passado.

Ingrid Ulbrich
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