(Imagem Ilustrativa)

O homem tem o poder de criar monstros. Não é à toa que muitos filmes que apresentam super-heróis quase sempre os apresentam combatendo monstros. Na vida real, sem que nem demos conta, estamos criando alguns monstrinhos difíceis de matar e que se não conseguirmos encontrar formas de combate-los, vão nos engolir, nos asfixiar, nos anular.

Um desses monstros é feito de embalagens. Talvez este período de pandemia tenha nos alertado quanto ao problema. Mas isto só foi perceptível se você fez a lição de casa e esterilizou as embalagens trazidas de fora para dentro de sua casa. Se o fez, se deu conta de quanto lixo geramos com o descarte de embalagens. Sim, estou chamando de lixo mesmo, pois mesmo que você separe, pouco do que separou será reciclado adequadamente.

A reciclagem no Brasil não passa de 4% do total gerado e só algumas das embalagens tem um percentual de reaproveitamento um pouco maior: papel e papelão têm 52,3% de recuperação; O plástico fica nos 8,2%; Alumínio, utilizado em latinhas de cerveja e refrigerante, alcança o índice de 87,2%. Somente 17% dos municípios brasileiros possuem coleta seletiva.

Há poucos países onde a reciclagem é levada a sério. Assim, vamos entupindo os aterros sanitários com materiais que poderiam ser reaproveitados, entupimos também os sistemas de drenagem pluvial e inundamos o oceano de plástico.

Mas o que podemos fazer, para diminuir o tamanho desse monstro?

Se você é um industrial, pode pensar em como reduzir o tamanho, o peso, o volume de suas embalagens, sem perder a segurança e a qualidade dos produtos. Vale lembrar que otimizar as embalagens gera menor custo de produção e por consequência, maior competitividade.

Se você é consumidor, dê preferência a produtos com embalagens mais adequadas do ponto de vista ambiental. Muitas vezes comprar na sua cidade, na sua região lhe permitirá um menor desembolso na aquisição, com produtos mais baratos do que aqueles que precisam circular por grandes distâncias, protegidos por embalagens mais complexas. O consumidor também deve insistir (nunca desistir) na separação do lixo e cobrar das autoridades o apoio a entidades e empresas de reciclagem e trabalhos de compostagem.

Se você é empreendedor, veja que tem gente ganhando muito dinheiro coletando, triando, reprocessando ou encaminhando para reprocessamento materiais recicláveis. Lixo é dinheiro!

Destinar o lixo nas cidades pode custar entre 10 a 15% do orçamento e os governos deveriam criar políticas de tratamento do lixo, investindo em programas de conscientização e cobrando dos cidadãos a redução do volume de lixo gerado.

Também poderiam ser criados programas de incentivo fiscal para empresas que reciclam. Há casos em que a tributação de produtos reciclados é maior do que a do produto virgem.

As escolas e universidades deveriam formar profissionais que se especializassem na reciclagem, garantindo equilíbrio entre a reciclagem e o gasto de energia para reprocessamento.

Veja algumas discas básicas para reduzir o volume de lixo gerado, além da coleta seletiva:

• Utilize produtos em refil sempre que possível;
• Opte por embalagens desmontáveis;
• Evite produtos descartáveis;
• Reutilize roupas e acessórios;
• Dê atenção ao lixo orgânico;
• Reduza suas correspondências;
• Leia online.

Voltando a falar de super-heróis que combatem monstros, em equipe sempre é mais fácil salvar a humanidade. Vide a Liga da Justiça, os X-Men, Os Vingadores. Então, se cada um fizer a sua parte e atuando de forma conjunta, poderemos ao menos diminuir o tamanho desse monstro e guardar um pouco de energia para combater os demais.

Adnelson Borges de Campos
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