Na última semana tive a oportunidade de passar rapidamente pela Bienal do Livro, no Rio de Janeiro. Orgulhosamente fiz um cadastro prévio e, no Centro de Convenções Riocentro, pendurei no peito um crachá de Autor para visitar um dos maiores eventos de incentivo a literatura e cultura do país.

Fiquei impressionado com a quantidade de livros ofertados ao público. Algumas das maiores editoras do país mantinham estandes, mas nem todas se faziam presentes. Se todas estivessem ali, com certeza seria preciso mais que duplicar o local para a exposição.

Em meio as grandes, em pequenos estandes, muitas vezes com a numeração do estande escrita à mão num pequeno pedaço de papel, alguns editores atendiam paciente e atenciosamente seus clientes. Com certeza realizavam um sonho e talvez tivessem gastado a economia de um bom tempo para poder estar ali e mostrar um pouco do trabalho desenvolvido.

Havia um grande público, naquele meio de semana, representado por crianças e jovens de muitas escolas que em grandes grupos caminhavam, muitas vezes de mãos dadas para não se perderem em meio à multidão. Na face de cada professora a expressão do esforço e cansaço para não perder nenhum pequenino. Cansados, alguns sentavam nos corredores e até mesmo dormiam escorados nas paredes de alguns estandes. Comprar um livro, aproximar-se do autor era o desafio de muitos deles. Tentar ver um pouco da feira em meio tanta gente e tanto barulho era o meu desafio e de muitos outros.

Voltando a falar da estrutura montada, olhando para tudo aquilo, com tantas opções, confirmei minha percepção do quanto é difícil o trabalho das pequenas editoras e de dos autores que procuram algum lugar no mercado literário.

Segundo a UNESCO, a cada ano se publicam 2,2 milhões de novos livros, ou seja, mais de 6 mil livros por dia. Se adotarmos esta estatística e somarmos a experiência da Google Books que contabilizou quase 130 milhões de livros no início dos anos 2000, teríamos hoje cerca de 150 milhões de livros editados.

Então, felizes aqueles que conseguem um pouco de destaque em meio a toda esta concorrência. E alguns conseguem muito destaque.

No pouco tempo que passei na feira, pude assistir a algumas falas de autores e presenciar longas filas de fãs ávidos por um autógrafo de seus autores favoritos. Fiquei contente de ver crianças e adolescentes, de livros em mãos, gritando apaixonadamente na fila cada vez que o autor fazia um gesto diferente ou acenava para a multidão que o aguardava.

Também fiquei um pouco surpreso com a juventude dos autores, bem diferente do estereótipo vendido pelo cinema do escritor maduro, algumas vezes feliz, outras frustrado com a profissão, mas sempre compenetrados e pouco amistosos, muitas vezes presos ao seu mundo se solidão.

Confesso que sonhei em ver, algum dia, um livro meu exposto em alguma daquelas estantes. Quem sabe ele se realize. Senti-me desafiado a escrever melhor.

Ao final da visita, com o movimento que vi, observando as reações e sentimento do público, saí com a sensação de que nem tudo está perdido, que podemos motivar nossas crianças a ler e experimentar o mágico mundo presente nos livros.

Também tive a certeza de que um bloco de papel, encadernado e impregnado de palavras em suas páginas ainda pode ser o melhor amigo de uma criança, um bom companheiro para um jovem, um porto seguro para pessoas de qualquer idade.

Adnelson Borges de Campos
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