Reflexão com Padre Marcelo S. de Lara

Um Novo Relacionamento

Imagem Ilustrativa

Já vamos lembrando aqui que, no próximo dia 10 de fevereiro, Quarta-feira de Cinzas, se dará a abertura da Campanha da Fraternidade 2016. Organizada pela Igreja Católica, porém, é colocada como uma Campanha Ecumênica, ou seja, aberta para todas as religiões cristãs.

Sendo o tema deste ano: “Casa Comum, Nossa Responsabilidade”, baseada no documento do papa Francisco publicado em 2015, Laudato Si’ (Louvado Seja), o assunto vem abordar, debater e nos movimentar para a preocupação com o meio ambiente. Para uma reflexão à nível de Brasil, o objetivo da Campanha deste ano é “assegurar o direito ao saneamento básico para todas as pessoas e nos fazer se empenhar, à luz da fé, por políticas públicas e atitudes responsáveis que garantam a integridade e o futuro de nossa Casa Comum.”

Um tema assim, é claro que envolve a todos, indistintamente da religião que professa. Como cidadão e pessoas de boa vontade, somos convocados; aí impulsionados pelos valores do Evangelho e de nossa civilidade, a nos comprometermos todos pela causa.

O tema é oportuno e vem na hora em que muito nos deparamos com problemas ambientais. Tais problemas são é verdade, consequências de nosso mau relacionamento com o planeta.

O momento é de despertarmos para um novo relacionamento. É momento de deixar o lado exploratório e desenvolver o lado de cuidador.

Em um de seus artigos, o teólogo Leonardo Boff, o qual teve grande contribuição nas ideias aplicadas na Laudato Si’, fala do grande papel das instituições religiosas na participação dos problemas ambientais. Segundo ele, as três religiões que professam o mesmo Deus: cristianismo, judaísmo e islamismo, em seus escritos revelados sempre mostram a criação, o planeta, como a obra de Deus para nós.

Este Deus deseja que cuidemos, administremos com amor esta Casa dada para nossa habitação. Precisamos cuidar dela. Segundo o teólogo, se em tempos passados estas religiões se confrontavam e guerreavam por questões de doutrinas, hoje já não se deve pensar assim. Todas elas, e todas as pessoas devem pensar no cuidado dessa Casa, nosso planeta, dado a todos.

A Campanha da Fraternidade por isso vem convocar à todos para essa reflexão, e motivar para as práticas, ações cuidadoras e recuperadoras de nosso planeta bem como questionar as atividade econômicas que favorecem a uns e explora, esquece outros como no caso da falta do saneamento básico que deixa tantas pessoas sem poder viver e se desenvolver de uma forma digna como deve ser para todos.

Que 2016, ainda que “se inicie depois do carnaval”, no espírito do Ano da Misericórdia que celebramos, seja marcado, não pelos efeitos das mudanças climáticas que destroem, mas pela mudança de nosso pensamento e de relacionamento com nosso planeta, nossa Casa Comum.

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