(Imagem Ilustrativa)

Recebemos dezenas de informações todos os dias. Nas redes sociais, nos atentamos somente ao título da notícia ou àquele breve resumo, na expectativa de que nos forneça o principal de seu conteúdo. Não julgo a mim e nem a ninguém por isso, afinal, esse é o nosso novo normal, fruto da rapidez com que as notícias nos chegam e do pouco tempo que dispomos para tudo. Mas, recentemente, uma dessas notícias me “pescou”. A matéria era tão incomum e ao mesmo tempo, tão comovente, que não consegui ficar somente na superfície da sua leitura. O título, “Pai pede à justiça argentina que impeça o aborto de seu filho”, me levou a querer entender o caso.

A lei do aborto foi aprovada na Argentina em dezembro de 2020 e pode ser praticada até a 14ª semana de gravidez. Um pai chamado Franco, da província de San Juan, estava travando uma batalha judicial e correndo contra o tempo. Havia apresentado no dia 22 de abril desse ano, uma medida cautelar à justiça, para impedir que sua ex-companheira abortasse seu filho. Segundo ele, a mulher escolheu abortar ao saber que estava grávida de 12 semanas, o que também causou o fim do relacionamento dos dois. Para uma rádio local, o pai disse que sugeriu a ela que tivesse o bebê e depois o entregasse a ele, e ela poderia seguir com sua vida, se assim o quisesse. “Tudo se centra nos direitos das mulheres, mas meu filho também tem direitos e ninguém pode decidir sobre ele. Já apresentei tudo o que tenho à Justiça. Agora espero que, por favor, entendam que só quero dar ao meu filho a possibilidade de viver”, desabafou.

Ao terminar de ler a matéria, refleti sobre o papel de um pai numa gestação. Seus sentimentos e seus direitos são sempre omitidos no discurso abortista, que se utiliza de uma justificativa egoísta baseada nos direitos da mulher sobre seu corpo e sua vida. Dispõe de um falso pressuposto, de que a maioria dos homens não quer criar vínculos familiares e nutrir amor pelo filho em gestação, enquanto a sociedade vai aceitando ser esta uma realidade e algo normal. Os defensores do aborto também omitem, o fato real e inegável, do feto ser uma nova vida, ou seja, ele não é uma extensão do corpo da mãe, e sim uma outra pessoa. Algo tão biológico e tão científico, naturalmente entendido por qualquer pessoa, mas que é propositalmente mascarado para legalizar o assassinato de inocentes. Também negam que a vida acontece no momento seguinte após a fecundação, defendendo que a vida surge apenas após muitas semanas de gestação. Para usar um termo bem atual, a narrativa abortista é negacionista. Faz lembrar aquelas pessoas que ao mentir, precisam a cada momento inventar novas mentiras, para sustentar a primeira.

O caso de Franco ganhou grande repercussão e apoio popular com a #TodosconFranco. Ele acabou sendo vitorioso na justiça, recebendo a medida cautelar para salvar seu filho do aborto. Mas, não foi vitorioso na vida real. Segundo o advogado da mulher, ela abortou o seu filho antes mesmo da decisão judicial. Eu me pergunto, como fica esse pai? A cultura da morte tem respostas para todas as objeções reais que se colocam contra a morte de nascituros, mas, não tem respostas para essa pergunta e muito menos, sobre quem é o responsável pela morte de uma vida sob a tutela da justiça e pedida pelo pai.

Tenho certeza que existem muitos Francos dispostos a amar seus filhos e sua família pelo mundo afora. Também tenho certeza que o número de mulheres que aceitam a maternidade é infinitamente maior que aquelas que queiram se submeter ao aborto, até porque, as sequelas físicas e emocionais para quem o pratica são muito profundas. Escolhi essa história de coragem e de amor paterno para evidenciar o mês de maio que celebra essas duas riquezas da vida humana, a Maternidade e a Família. Porque a felicidade é simples e está ao alcance de todos nós, basta enxergá-la e cultivá-la.

Que as efemérides da vida nos ajudem a construir dias sempre melhores!

Um cordial abraço!

Ingrid Ulbrich
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