(Imagem Ilustrativa)

Já completei algumas décadas e ouvi muitas vezes a frase de que “O Brasil é o país do futuro”. Como o Brasil não é o país do presente, com muita dificuldade teremos um futuro melhor.

Há duas semanas abordei a questão do preço dos combustíveis. A crise dos preços se agravou e a última notícia desde final de semana foi a de que o Presidente Bolsonaro vai substituir o Presidente da Petrobras, Roberto Castelo Branco.

Por mais de três décadas vivi um pouco da influência política de cada gestão na Companhia, associada a cada gestão no Governo Federal. A Empresa sempre teve um papel singular na história e economia do País e cada governo a usa como instrumento, para o bem ou para o mal.

É certo que com a tentativa de controle de preços e do processo inflacionário, a Cia. foi muito prejudicada no passado. Mas não há justificativa para a atual política de preços.

Petróleo, soja, minério de ferro, boi gordo, são alguns exemplos de comodities influenciadas pela variação de preço no mercado internacional, mas com certeza, há margem para que haja uma política de preços mista, que também proteja os interesses dos verdadeiros donos da Empresa, o Povo Brasileiro. Num momento de dificuldade que atravessamos, com uma pandemia instalada, não há nada que explique um litro de gasolina custando mais que R$ 5,00. Se dá com uma mão, com o auxílio emergencial, se tira com a outra, principalmente daqueles que mais precisam. Os preços nos supermercados não me deixam mentir sozinho.

Temos petróleo com custo interno de produção e de refino, que sofrem influência das moedas estrangeiras, porém é riqueza nossa e que pode ter o valor que melhor atenda aos interesses do Brasil. O que se exporta, pode guardar paridade com o mercado internacional.

Não sei quando conseguiremos mudar o nosso modelo e nos tornarmos um país que fortaleça sua economia e melhore a qualidade de vida de seu povo. Preferimos exportar soja, minério de ferro, petróleo e outras riquezas que servem de matéria prima para países mais industrializados e aperfeiçoados tecnologicamente, gerando emprego nesses países, para depois importar produtos acabados, incluindo aí derivados de petróleo, fertilizantes, aço e alimentos. Nos gabamos de sermos um dos celeiros do mundo e não conseguimos produzir nossos próprios fertilizantes nem mesmo temos tecnologia para produzir sementes. Também exportamos nossos melhores cérebros e quando não, deixamos de aproveitar o seu potencial.

Sacrificamos a população, o mercado interno com a desigualdade cambial em nome de resultados imediatos para exportadores e em detrimento das necessidades da população, que deveria ser a primeira a receber assistência e suprimentos.

Também ouvi gente dizendo que temos que exportar o nosso petróleo enquanto ele ainda tem valor no mercado, pois combustíveis fósseis não tem futuro. O petróleo será importante por ainda muito tempo na matriz energética mundial e na produção de muitos itens de consumo em nosso dia-a-dia. O mundo ainda mata por petróleo e nós entregamos a nossa riqueza sem agregar valor. Lutamos pela autossuficiência desde 1954 e agora a abandonamos.

Ontem ouvi um absurdo saído da boca de um ex-Presidente da Petrobras. Dizia que o imposto no diesel precisa ser alto para minimizar o uso de combustíveis fósseis. Que opção de energia limpa um caminhoneiro brasileiro tem hoje? A atual política só transfere o custo ao consumidor e em nada contribui para a migração para uma matriz energética mais limpa. Pergunto: quantos centavos do preço de um litro de combustível são investidos em pesquisa e desenvolvimento para produção de energia limpa em nosso país?

A minha geração parece ter fracassado em construir um país do futuro. Mas ainda há tempo. Que as novas gerações consigam aprender com nossos erros e eleger governos comprometidos com a criação e absorção do conhecimento, que fortaleçam a infraestrutura e criem oportunidades para desenvolvimento de tecnologia.

Adnelson Borges de Campos
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