(Imagem Ilustrativa)

Na coluna anterior, a Noite dos Noéis foi a efeméride que me levou a discorrer sobre a liberdade. Quase naturalmente, as linhas que me levam a construir o presente texto, penúltimo do ano, e pelo qual ainda recebo a oportunidade de compartilhar opiniões com o amigo leitor, me levam novamente ao tema da liberdade vinculado à pandemia. Foi no dia 8 de dezembro de 2020, considerado o Dia V – dia da vacinação e da vitória – que se iniciou no mundo a vacinação contra o covid-19 através da população do Reino Unido.

Deixando de lado qualquer condicionamento que possa vir a nos aprisionar de forma consciente ou inconsciente, como ideologias ou vícios, por exemplo, a grande maioria de nós pode testemunhar uma vida livre, até mesmo para escolher estar submetido a esses malefícios. Entretanto, foi na pandemia que vivenciamos o estopim de um poder delimitante a nossa liberdade e que se espalhou nos diversos aspectos da vida em sociedade, principalmente na livre locomoção, no direito ao trabalho ou na liberdade de pensamento, como a religião, todas expressões garantidas na constituição. E apesar de estarmos restituindo a nossa antiga vida normal, passado um ano do início da vacinação mundial, encontramos um novo agente condicionante da liberdade, seja de opinião ou de escolhas relacionadas ao próprio corpo: o passaporte sanitário.

Independente de sermos contra ou a favor desse salvo-conduto, vale ressaltar o que a própria ciência alerta sobre as vacinas, e o que ainda nos faz realizar, apesar de vacinados, o uso de máscaras e de álcool gel: de que as vacinas não são 100% eficazes contra o vírus. Portanto, ser portador de um carimbo que comprove a nossa vacinação, não comprova da mesma forma, a totalidade de nossa imunização e de que, por isso, estaremos livres de contrair o vírus ou de passá-lo adiante. Pelo contrário, a falsa impressão de segurança poderá levar a disseminação ainda maior do vírus em eventos, shows, viagens, enfim, qualquer lugar que obrigue a apresentação do documento para entrada, visto que os sintomas da doença poderão ser negligenciados em função do passaporte. E não por menos, esse fato já está sendo comprovado, e muitos são os casos de transmissão pelo mundo ocorridos dessa forma, até porque temos à vista uma nova variante do vírus. Se refletirmos perante os fatos, o passaporte sanitário parece ser, na verdade, apenas uma maneira de forçar a vacinação do que de nos proteger da contaminação propriamente dita.

Essa versão de passaporte que avança pelo mundo foi chamada por Cristina Graeml, colunista da Gazeta do Povo, de um novo apartheid, porque separa as pessoas entre vacinados e não vacinados. Essa categorização humana vem ocorrendo tanto pelo setor público como por empresas privadas que se utilizam deste selo de “proteção” para impor sanções. Na cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, pessoas não vacinadas são impedidas de fazer cirurgias eletivas, sendo expostas ao não atendimento médico, determinada por um decreto municipal. Na Alemanha, até mesmo as mortes assistidas, legalizadas naquele país, exigem a vacinação, coisa que não faz sentido algum.

De qualquer forma, é fato que o passaporte sanitário elimina a liberdade individual. Ser um cidadão e ter acesso aos seus direitos, neste caso, significa abortar suas próprias decisões, ainda que o indivíduo nunca tenha sido contrário a qualquer vacina. Por fim, fica a reflexão: seria esse um passaporte para a saúde e segurança da humanidade, ou apenas um veículo para nos levar a uma falsa liberdade?

Que as efemérides da vida nos ajudem a construir dias sempre melhores. Um cordial abraço!

Ingrid Ulbrich
Últimos posts por Ingrid Ulbrich (exibir todos)

Comentários

Compartilhe:


MATÉRIAS RELACIONADAS
A Vaquinha, o Xisto e a Indústria
Quase dois mil anos depois
Em que posso te ajudar?