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Um pouco sobre a História das comemorações Juninas

A origem das comemorações juninas remonta a Antiguidade. Os antigos egípcios por exemplo, festejavam nessa época, entre o mês de Junho e Julho, a chegada de uma nova estação denominada de Akhet, que marcava o início das enchentes do Rio Nilo, substanciais para a fertilização do solo, o que permitia o plantio e a sobrevivência daquele povo. Os celtas, como boa parte dos povos pagãos do Hemisfério Norte, comemoravam entre os dias 20 e 23 de Junho, o festival de Litha, ou mais conhecido como, Solstício de Verão. Nele, era celebrada a vida permitida através do calor do Sol. Também eram executados rituais, cantos e danças, pedindo fertilidade. Fertilidade do solo para a manutenção da agricultura, da mata para o provimento de alimentos e recursos, das mulheres e dos homens para a geração da vida e perpetuação da comunidade. Portanto, tais elementos, fertilidade, agricultura e calor, por exemplo, eram a essência de tais comemorações.

Durante a Idade Média, com a cristianização da Europa, a estratégia adotada pela Igreja Católica foi a de cristianizar tais festividades ao invés de combatê-las, uma vez que, já estavam muito ligadas ao imaginário e a cultura popular. Foi então que a Igreja associou a figura de santos a essas comemorações. Assim, no dia 13 de Junho é comemorado o dia de Santo Antônio, santo casamenteiro, no dia 24 de Junho o de São João Batista e no dia 29 de São Pedro, ambos ligados ao nascimento de Cristo e ao surgimento do cristianismo. Interessante analisar que, tais elementos se conectam com os elementos dos festivais pagãos.

No Brasil, as comemorações juninas vieram junto com a colonização dos portugueses, contudo, os indígenas que aqui habitavam, já celebravam a chegada do inverno com rituais, danças e muita comilança. Tais comidas baseadas no cultivo do milho, da mandioca, e do amendoim, por exemplo. Esses alimentos, continuam sendo a base para as comidas típicas das festas juninas atuais. As danças também continuam sendo praticadas, a quadrilha é a principal delas, e é inspirada nas danças de salão francesas do século XVII. O fogo ainda é o elemento celebrado através das fogueiras, ganhou uma conotação cristã também, pois é dito que Santa Isabel, mãe de São João Batista, disse à Virgem Maria, que quando São João nascesse acenderia uma fogueira para avisá-la. Maria viu as chamas de longe e foi visitar a criança recém-nascida. Hoje, as festas juninas continuam animando, esquentando e engordando nosso inverno! Alguns, aproveitam para pedir casamento a Santo Antônio, outros usam vestimentas de caipira para celebrar a cultura da roça, ligada à agricultura, outros, pulam fogueira e dançam quadrilha para se esquentar do frio! A verdade é que, na História, nada se cria; tudo se copia e se transforma! E é por isso que eu a amo! Hoje fico por aqui, e até a próxima viagem pessoal!

Jéssica Kotrik Reis Franco
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