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Um povo que não conhece a sua história está condenado a repeti-la: 1964 nunca mais!

BELO HORIZONTE, MG, BRASIL, 00-09-1979: A menina Rachel Clemens, 5 anos, se recusa a cumprimentar o presidente general João Baptista Figueiredo no Palácio da Liberdade. (Foto: Guinaldo Nicolaevsky/EM/D.A Press)

O Brasil não vive uma crise econômica. O Brasil vive uma crise política! Porém, tal fato, sem dúvida alguma, reflete-se na economia também. Portanto, é sintomático no percurso histórico! Em meio a crises políticas em Estados Democráticos de Direito como o nosso, sempre se questiona a democracia como regime de governo. Temos vários exemplos ao longo da história, o mais emblemático deles, é na República Liberal de Weimar, instituída na Alemanha após a Primeira Guerra Mundial. Naquela época, a Alemanha vivia uma crise política, econômica e social de proporções assombrosas. Após sofrer uma derrota desastrosa na Primeira Guerra, que acabou em 1918, o país estava completamente endividado, destruído e seu povo desolado. A República foi instituída afim de reconstruir a Alemanha, sendo ela uma democracia representativa semipresidencial. Uma Constituição foi promulgada em 1919. Porém, são nesses momentos de fragilidade, que surgem Hitlers da vida, discursando em prol da nação, se colocando como os salvadores da pátria. Aproveitando-se do medo e do sentimento de revolta do povo alemão, Hitler, por conseguinte, o partido de extrema direita nazista, ascendeu ao poder na Alemanha em 1933. Exatamente no dia 30 de janeiro de 1933 a jovem democracia alemã morreu nas mãos de Hitler. O resto? Bom o resto a gente já sabe.

Segundo o Artigo 142 da Constituição brasileira: “As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais (…) sob a autoridade suprema do Presidente da República, elas são destinadas à defesa da Pátria, e à garantia dos poderes constitucionais (…)”. Ou seja, não existe legalidade constitucional numa “intervenção” militar para tomar o poder Executivo, de qualquer forma, se trata de um golpe. Golpe militar como aconteceu em 1964 no Brasil. Mas uma intervenção é o mesmo que uma ditadura? Sim, pois a intervenção é o primeiro passo para a implantação de uma. Como postulou o filósofo Edmund Burke, aprendamos com a história para não repeti-la! Durante o contexto da Guerra Fria (1945-1991), o mundo vivia uma bipolaridade ideológica. De um lado os socialistas da URSS, de outro o mundo capitalista e os EUA. Com um discurso para impor medo a população brasileira, sob a “ameaça comunista”, os militares impediram que João Goulart assumisse o governo, diante da renúncia de Jânio Quadros. Tomaram o poder através de um golpe de Estado em 1º de Abril de 1964. O que era para ser uma intervenção, se tornou uma ditadura que durou 21 anos, até a reabertura democrática. Pois, durante o regime militar, não era o povo que escolhia seus representantes. No âmbito econômico, houve corrupção generalizada nos órgãos públicos, desperdício de dinheiro com as famosas “obras faraônicas”, inacabadas até hoje, a Transamazônica é o maior exemplo. Houve um aumento enorme na concentração de renda e na desigualdade social, aumento também da dívida externa, arrocho salarial e aumento da dependência de capital estrangeiro. O poder de compra do salário mínimo diminuiu em até 45%, a hiperinflação chegou a níveis de 200% em alguns anos, ou então sempre na marca de dois dígitos a partir de 64. Milagre econômico? Propaganda enganosa. Até porque, críticas e denúncias contra o governo eram censurados. Jornais, revistas, tv, rádio, música, teatro, etc.,nada chegava ao povo brasileiro sem passar pela censura. Greves e protestos foram criminalizados, tortura e assassinato foram praticados afim de reprimir adversários políticos e civis, entre eles muitos estudantes, que iam as ruas pedir um país melhor e o direito de escolher seus representantes. 1964? Nunca mais! Lutemos pela melhoria da nossa jovem democracia…

Acadêmica de bacharelado e licenciatura em História pela UFPR (2015), membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Mateus do Sul (2016), e atua como monitora no Museu Egípcio e Rosacruz de Curitiba (2016). Mesmo sendo sua área de pesquisa a História Antiga, é apaixonada pela História Regional.

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