Essa foto chamou muito a minha atenção. Fiquei olhando um bom tempo para ela tentando imaginar o que ela representava e como seria viver na época em que o registro foi feito… Então comecei minha investigação, primeiramente apenas observando os detalhes da fotografia que eu havia escolhido.

A imagem apresenta dois homens e alguns animais. Os homens intencionalmente prepararam-se para a foto. A imagem dos animais é muito forte. Tem os animais mortos (perdizes), amarrados pelo pescoço na cartucheira que os homens carregam e o animal vivo (um cachorro). Tem também as armas. Como já comentamos sobre a questão que envolve as fotografias, elas não falam por si próprias até serem questionadas. Em fotografia três elementos são fundamentais: o autor, que por razões pessoais e profissionais define o objeto a ser registrado; a tecnologia, que possibilita o registro; e o tema, que é objeto do registro. (Kossoy,2009). Somos nós que trazemos esses “recortes de memória” para o presente.

Sobre o tema que não é desconhecido de muitos, sabemos que houve um tempo em que a prática da caçada era comum em muitos lugares. São Mateus do Sul também tinha seus caçadores. Animais de pequeno porte como as aves, eram frequentemente procurados para serem abatidos. Muitas pessoas (homens principalmente), gostavam desse esporte em épocas passadas. Havia também um tempo certo para essas caçadas que regulava com o ciclo de vida das aves. Essa dedução de que basicamente é a foto de uma caçada bem-sucedida não é tão difícil por tratar-se de costumes de um tempo não muito distante dos dias atuais.

Mas, nessa fotografia em específico, felizmente temos informações de quem eram os homens que aparecem na imagem e também sobre o tema. Entra aí a complementação de outras fontes historiográficas (história oral, documentos escritos, pesquisa sobre o tema), para interpretar a imagem fotografada.

Os homens são identificados como sendo João Casemiro Domanski e Stanislaw Budzinski. Os dois moravam em São Mateus do Sul e eram amigos. Em consequência dessa amizade caçavam juntos, na volta de uma dessas caçadas decidiram fazer um registro. O cachorro que aparece na fotografia não está ali por acaso: é caçador também. Esses cães eram chamados de perdigueiros. Muito interessante a presença do cachorro na imagem fotográfica, pois sem ele a caçada estava sujeita a não ter êxito. Há quem diga que sem eles não havia caçada! As armas, são espingardas de dois canos (caso o caçador errasse o tiro, ainda teria mais um), que precisavam ser limpas e lubrificadas diariamente, e eram normalmente de marcas estrangeiras. Era comum também outros “apetrechos” para uma boa caçada.

A fotografia foi feita em São Mateus do Sul, em um estúdio fotográfico que existia atrás do antigo Colégio das Irmãs, atual Secretaria Municipal de Educação e Cultura. Provavelmente a fotografia foi preparada por Stanislaw Budzinski (autor), que além de ter uma padaria na cidade, era também fotógrafo e proprietário do estúdio. A data exata não pudemos precisar, mas provavelmente a foto é da década de 1940. A câmera da época podia ser preparada e bastava que alguém apertasse um botão para que o momento da captura da imagem acontecesse (tecnologia). Isso justifica porque o fotógrafo aparece na fotografia. Existiam várias etapas até a fotografia ficar pronta. Ao finalizar o texto e olhar mais uma vez para a fotografia em minha frente, um fato me fez realmente entrar naquele passado e sentir que aquela cena um dia foi real. Descobri que o nome do cachorro era Tigre (risos).

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