Histórias de Terra e Céu

Uma Cruz rara no céu!

Foto tirada no começo da noite de sábado, dia 18, na Vargem Grande. (Foto: Gerson Cesar Souza)

Os astrônomos costumam usar figuras conhecidas para marcar constelações e outros asterismos. Essas figuras ajudam a explicar o céu e a encontrar objetos observáveis. Assim, em uma noite de observação, você pode ser apresentado ao Triângulo Austral, ao quadrado do Pégaso ou ao Hexágono de verão. Mas talvez a figura mais conhecida no céu seja a “cruz”.

Já dei algumas aulas práticas para grupos de escoteiros com o objetivo de apresentar o Cruzeiro do Sul e mostrar como são encontrados os pontos cardeais a partir desta constelação. Mas também sempre faço questão de mostrar a “Falsa Cruz”, que é um asterismo formado por duas estrelas da constelação da Vela e outras duas da Carina, e que costuma confundir muita gente que procura o Cruzeiro no céu. Aí algumas pessoas se surpreendem: “então, existem dois cruzeiros no céu?”. E minha resposta sempre é: “Não, na verdade são três cruzeiros!”.

A terceira cruz é o chamado “Cruzeiro do Norte”, apelido dado à bela constelação do Cisne. Apesar de ser a mais difícil de ver aqui no nosso Hemisfério, confesso que essa é a minha “cruz preferida”, principalmente por conter uma belíssima estrela no bico do Cisne, a pequenina Albireu, que ao telescópio mostra-se uma estrela dupla com brilhos azul e laranja, uma verdadeira joia celeste.

Mas a noite do próximo dia 18 de julho vai colocar uma quarta cruz no céu: uma conjunção de quatro astros que está sendo chamada de Cruzeiro do Oeste, pois ocorrerá no início da noite, no horizonte Oeste. Já falamos nesta coluna que Júpiter e Vênus fizeram uma aproximação que culminou no encontro celeste do último dia 30. No dia 18 estes astros ganharão a companhia da Lua e também terão nas proximidades a estrela Regulus.

Apesar de Regulus ser a estrela mais brilhante da constelação do Leão, e marcar o coração do animal mitológico, no asterismo do “Cruzeiro do Oeste” ela será o objeto de menor brilho e, certamente, o mais difícil de ser encontrado. Mas vale o esforço de tentar achar esta cruz logo após o pôr-do-sol do dia 18, pois a última vez que ela se formou foi em 1943, e isso só voltará a ocorrer em 2039!

E apenas para aumentar a curiosidade, os astrônomos enxergaram essas “cruzes” no céu ao longo da história numa clara referência religiosa à imagem da cruz de Cristo. Já essa “nova cruz” do dia 18 seria apenas um triângulo se a estrela Regulus não estivesse ali para completar o formato. E a palavra Regulus significa “pequeno Rei”, o que me faz também lembrar deste Rei que se fez pequeno e sofreu numa Cruz há dois mil anos.

Até a próxima semana e céus limpos para todos nós!

Gerson Cesar Souza
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