Roberta é formada como técnica de Meio Ambiente. (Fotos: Acervo pessoal)

Nesses tempos, um tanto difíceis, que estamos vivenciando é bom conhecer pessoas novas. Gostaríamos de apresentar a Roberta e possibilitar que vejam um pouco da sua história. Mas essa é daquelas que ainda não tem um final e sim um conteúdo diferente e inspirador. Nesses tempos em que se ouve muitos reclamarem, temos um grande exemplo de superação a inspirar muitos.

Roberta da Rosa Fernandes tem 23 anos e muitos sonhos. Sua família vive há muito tempo em São Mateus do Sul, mas ela nasceu em Curitiba, devido as circunstâncias que envolvem a sua história de superação. Sua gravidez transcorria a princípio normal, quando uma ultrassonografia realizada no último mês de gravidez indicava que havia algum problema com a gestação de Roberta e que seu parto deveria ser em um hospital com condições de receber a pequena recém-nascida para tratamento.

O encaminhamento foi para a Santa Casa, em Curitiba, e esta encaminhou para o Hospital de Clínicas, na mesma cidade. Com exames em mãos, o hospital aceitou o internamento depois de muita perseverança. Sua mãe conseguiu ser internada na ala de partos de alta complexidade, sendo sua primeira batalha: nascer. No dia calculado para o nascimento, surgiu a tão esperada vaga na UTI pediátrica e Roberta veio ao mundo com mielomeningocele e hidrocefalia no dia 31 de dezembro.

Com 6 anos fazendo fisioterapia.

A alta hospitalar só veio dia 28 de fevereiro, depois de algumas cirurgias. Já foram 17 cirurgias até hoje, entre elas uma para implantar uma válvula para drenar o líquido do cérebro, já que tem problemas na coluna. Esse problema a impede de andar e ela usa cadeiras de rodas. Entre as cirurgias algumas foram para corrigir a coluna, corrigir os pés, corrigir a visão.

Desde bebê, frequentava a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), em São Mateus do Sul. Antes de completar os 8 meses, começou a falar, o que indicou a necessidade de outro tipo de escola. Para se socializar com as crianças, frequentava o Lar São Mateus e foi então para o antigo Colégio Integral, com apenas 1 ano e 4 meses. Desde pequena, a fisioterapia fez parte de sua vida e, aos 14 anos, a cadeira de rodas. Aos 8 anos de idade, mudou para o Colégio Sema, pois seus pais se mudaram e a nova casa ficava bem próxima ao colégio citado.

Durante seu crescimento, a mãe Dina relata que eram de 2 a 3 viagens por semana para Curitiba para tratamentos e exames, com ônibus da assistência da Prefeitura. Tempos difíceis para a Roberta e para sua a família. Sua mãe também comenta que as dificuldades foram superadas com o apoio de muitas pessoas que, no papel de anjos, auxiliavam com fraldas, medicamentos caros que não eram oferecidos pela Prefeitura, amigos e vizinhos ajudando a cuidar da outra irmã, que veio depois, outros até com dinheiro chegaram a colaborar. Foram momentos difíceis, mas com garra e determinação foram sendo superados. A gratidão eterna para com muitas pessoas permanece até hoje.

Roberta junto de sua família no dia da formatura.

Ao terminar o primeiro grau, Roberta decidiu fazer o curso técnico de Meio Ambiente no Colégio São Mateus. Houve não apenas o apoio da família, mas de todo o colégio e direção, que não mediram esforços para tornar seu sonho realidade. Eles agradecem muito a dedicação dos professores e do Colégio São Mateus, pois durante o curso pode contar com apoio de cuidadores, disponibilizados pelo Estado, que foram sensacionais em auxiliar e apoiar Roberta. Se formou em técnico de Meio Ambiente na turma de 2017.

Roberta se diz independente, consegue desenvolver diversas tarefas sozinhas, até mesmo o translado, que seria passar da cadeira de rodas, para um sofá, cama ou mesmo adentrar num carro. Tem como grande parceira a sua irmã, Rafaela, confidente, companheira e melhor amiga. Desenvolve muitas atividades, passeando, indo à missa – hoje mais restrita devido a pandemia.

Roberta confessa ter problemas pela cidade, devido à falta de acessibilidade. Não consegue entrar na maioria dos locais, como lojas, salão de beleza, entre tantos outros que não tem o mínimo preparo para receber cadeirantes. Infelizmente, essa carência também é presente em diversas ruas e calçadas em nossa cidade, o que dificulta bastante. Ela lembra de uma viagem que fez para Foz do Iguaçu há alguns anos, onde o atendimento no hotel foi de primeira para suas necessidades de cadeirante e no passeio pelas Cataratas, onde teve todo atendimento dedicado, com elevadores, funcionários disponíveis, ônibus com elevador e tudo preferencial, algo que nuca tinha presenciado antes. Ali, ela soube que as suas necessidades e de outros cadeirantes podem ser atendidas, sim!

Roberta ao lado dos arranjos de suculentas que vende.

Em sua rotina atual, segue em busca de uma oportunidade de trabalho, seja na área de Meio Ambiente ou outra, onde possa colocar seus conhecimentos em prática. Tem o desejo de continuar os estudos e se prepara para que, assim que a pandemia der uma trégua, ir atrás do curso de psicologia, presencial ou EAD (já que é bem antenada em tecnologia). Seu desejo é poder trabalhar e ajudar as pessoas. Enquanto espera a oportunidade de cursar a sua sonhada faculdade, deu início ao seu trabalho com plantas suculentas, as quais cuida e cultiva em casa, fazendo os arranjos em vasos que são comercializados nas redes sociais. Espera também que com o fim das restrições da pandemia possa vende-las na Feira do Produtor.

Roberta comenta que as dificuldades não a impediram de seguir em frente e buscar seus sonhos, que agora estão em trabalhar, fazer sua faculdade e, em um futuro, ter a sua família. Ela agradece a todos os que, sabendo ou sem saber, foram anjos em sua vida. Também a Deus pela maravilhosa família que lhe proporcionou e toda a inspiração que recebe de seus pais, Dina e Roberto. “Minha família é tudo que tenho de melhor nessa vida. O maior presente que Deus já me deu e sou eternamente grata por tudo isso”, diz Roberta.

Hugo Lopes Júnior
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