Prismas

Uma nova revolução está acontecendo

Imagem Ilustrativa

Nossos descendentes estarão prontos para o novo modelo de sociedade que surgirá?

Com a invenção da escrita na Mesopotâmia, por volta de 4.000 a.C., o homem passou a registrar os acontecimentos e isto impulsionou a evolução do conhecimento.

Depois da Idade Média, chamada por alguns de Idade das Trevas, o que não foi totalmente verdade, surgiu o Renascentismo, por volta de 1300, valorizando a antiguidade clássica, a racionalidade e a ciência. Neste período também passamos pela invenção da imprensa de Gutenberg, pelos Grandes Descobrimentos Marítimos, pelo fim do Feudalismo e surgimento do Capitalismo, tudo influenciando a multiplicação do conhecimento.

Na transição da Idade Moderna para a Contemporânea aconteceu a Revolução Industrial onde a invenção das máquinas a vapor mecanizou a produção. Depois, com a geração da eletricidade veio a produção em massa e se viabilizou, pouco mais tarde, as telecomunicações, proporcionando um novo salto no desenvolvimento tecnológico. Alguns chamaram a Revolução Industrial de Segunda Renascença.

Agora, recuperadas algumas informações históricas, comento um artigo de José Goldemberg que li nesta primeira quinzena de janeiro de 2018, no Jornal O Estado de São Paulo onde ele sugere que estamos diante de uma terceira Renascença, marcada pelos grandes feitos tecnológicos nas áreas de informática, automação e inteligência artificial. Cito uma diferença: estes novos patamares do desenvolvimento ocorrem num intervalo de tempo muito menor do que há cem anos.

Segundo ele, exemplos disso são as rotinas diárias quase todas sendo realizadas através de aplicativos instalados em computadores e telefones celulares, ou pela medicina baseada em dados e imagens cada vez mais sofisticados e que permitem diagnósticos precisos.

Podemos incluir outros exemplos, como o uso de robôs para controlar a produção industrial ou de softwares que são desenvolvidos para pensar e otimizar sistemas numa espécie de reprodução ou de modificação genética de sistemas informatizados.

Acreditem, hoje existem mais máquinas conectadas na internet do que gente! No final do ano passado eram 8,4 bilhões de dispositivos on-line. Até 2025 devemos chegar a 82 bilhões. Estima-se que a população atual da Terra é de 7,6 bilhões de pessoas. Não são smartphones ou notebooks. São máquinas usadas em consultórios, em indústrias, na geração de energia, em telecomunicações.

A base desta nova revolução ocorre no ciberespaço, com a quinta geração da rede celular, onde teremos velocidade superior a 1 Gbps, aumentando os níveis de comunicação entre máquinas.

A tendência de substituição do homem pela máquina deve acentuar-se também. Há vários textos e filmes de ficção que tratam do tema. Assim, lembro algo que escrevi num outro artigo: se o homem é capaz de sonhar, de imaginar algo, ele é igualmente capaz de criá-lo. É só uma questão de tempo.

Todo este avanço parece, na maior parte, positivo, entretanto surgirão novos problemas como a concentração de renda e o desemprego. Para identificar o primeiro basta analisar a lista dos mais ricos do mundo. Entre os primeiros cinco estão Bill Gates da Microsoft, Jeff Bezos da Amazon e Mark Zuckerberg do Facebook. Políticas de distribuição de renda podem minimizar o problema.

Já o segundo vai afetar você e seus descendentes de forma mais significativa, pois não estamos capacitados para fazer frente às novas demandas. As falhas do atual sistema educacional agravarão ainda mais a situação e é esperado que sociedade e governos busquem rapidamente uma mudança no modelo educacional, já que dois terços das crianças que hoje ingressam no ensino fundamental trabalharão em empregos que ainda não existem hoje.

Com base nas observações de Goldemberg, podemos concluir que uma das soluções para o problema do desemprego está no investimento em áreas nas quais máquinas levarão mais tempo para substituir as pessoas: educação, artes, cultura, lazer. Segundo o colunista, serão “pessoas cuidando de pessoas”.

Como ele, fico na torcida para que este novo Renascimento nos proporcione um mundo melhor.

Adnelson Borges de Campos
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