O navio ao lado do Giovani Justi, que tem 1,80 m de altura. (Fotos: Hugo Lopes Júnior/Gazeta Informativa)

A primeira impressão de quem olha é um misto de espanto e admiração, além da impossibilidade de não se sentir atraído e querer chegar bem perto para ver todos os detalhes dessa belíssima e delicada obra, que é o navio Corso. Ele está em exposição na loja da FG Automóveis em São Mateus do Sul.

Essa é a réplica de um antigo navio a vela e é o resultado do trabalho do Sr. Ivo Justi (já falecido). Seu filho, Giovani, nos contou que um dia chegou em casa e o pai estava mexendo com uma prancha de madeira em sua oficina, afirmando que faria um navio. Giovani duvidou, assim como outros depois, e lá começou a aventura, não que não acreditassem nas habilidades do Sr. Ivo, mas era algo que ele nunca havia feito na vida. Contador de formação e caminhoneiro por paixão, sempre teve dom e habilidade de criar peças em madeira e, até mesmo, de fabricar peças de carros e caminhões quando necessário, sendo procurado por amigos para “dar um jeito” em peças que faltavam no mercado. E lá estava o Sr. Ivo na oficina nos fundos da própria casa. Além de criar as soluções, muitas vezes criava as ferramentas para fazer as peças. Mas um navio nunca havia feito. Era autodidata e, sem projeto, começou o seu desafio, apenas observando fotos que lhe apresentavam da internet. Ele havia assistido muitas vezes as aventuras de Jack Sparrow em “Os Piratas do Caribe”, para ver os detalhes dos navios, sendo essa a sua maior inspiração.

Canhão com arpão para caçar.

A proa do navio com o nome e detalhes das luminárias.

Detalhes da artilharia de canhões, que são móveis.

Canhão de batalha.

Para quem vê o projeto pronto, não imagina que todas as peças e detalhes foram feitos em madeira, corda e metal pelo Sr. Ivo, sendo nada comprado pronto. Cada detalhe surgiu das habilidosas mãos, as quais não economizaram nos belos detalhes. O navio, segundo Giovani, tem algumas partes que se destacam para poder ver internamente o porão e diversos detalhes internos, como prateleiras, camas e depósitos, seguindo a estética dos navios de verdade. A cabine do capitão tem diversos móveis em miniatura e outras peças decorativas, as quais podem ser retiradas. Portas que abrem, assim como escotilhas, canhões, barris, redes de pesca, arpões, amarras, lampiões… é uma verdadeira riqueza de detalhes. Ao girar o timão, o leme mexe também e as velas podem ser içadas ou enroladas. Com certeza, podem ser horas admirando cada detalhe, não tendo nada feito em tornos, sendo apenas a pura habilidade das mãos de um homem.

A família lembra com saudade das inúmeras vezes que Sr. Ivo sonhava com alguma coisa e lá ia para a sua oficina, as três ou quatro horas da madrugada materializar o seu desejo. Quando colocava algo na cabeça, nem que tivesse que fabricar a ferramenta para poder executar, era uma questão de honra. Hoje, essas criações ficam para aqueles que sabem admirar.

Tem até prancha para condenados.

Timão movimenta o leme de verdade.

Uma bela obra de arte.

Detalhes das amarras e do cesto de gávea no mastro central.

Detalhes preciosos.

O navio, depois de pronto, recebeu várias ofertas de compra, tamanha admiração que despertava, mas o Sr. Ivo sempre recusou, pois vender nunca foi sua intenção. Para espantar os compradores, ele pedia valores altos. Nos contam que, certa vez, chegou a pedir o valor de R$ 50 mil e o comprador quase aceitou. Dinheiro não era o foco, ele fazia porque gostava do ofício de trabalhar com as mãos, tanto que apreciou a experiência do navio, começando um segundo para seu primo. Infelizmente, ele partiu antes de terminar.

O navio foi tão bem construído e é tão resistente que já foi transportado para várias casas diferentes até chegar a loja, onde está em exposição atualmente e pode ser visitado por qualquer pessoa. Giovani comentou que preferiu deixar nesse local para que mais pessoas possam admirar o trabalho de seu pai. Ele não consegue afirmar quantas fotos já tiraram ao lado dele, sendo que cada visitante sai com uma lembrança no celular.

Detalhes internos da cabine do capitão. (Foto: Gilberto Balestreri)

Talvez alguns até mesmo se lembrem do desfile dos 100 anos de São Mateus do Sul, onde Sr. Ivo desfilou com seu navio, de mais de 2 metros de comprimento e 1 metro e trinta de altura, numa carreta sem provocar nenhum dano.

Quem tem a oportunidade de ver de pertinho fica impressionado com os detalhes e se espanta ainda mais ao saber da dedicação e paciência do Sr. Ivo e dos dois anos e meio que levou para terminar essa bela obra de arte que não tem preço, pois é uma eterna lembrança para toda a família, uma lembrança do seu amado e habilidoso pai.

Hugo Lopes Júnior
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