(Imagem Ilustrativa)

Talvez seja a primeira vez, ao menos na história recente, que estamos a aguardar o tão afamado 7 de Setembro. Parte importante da nossa história, o episódio da independência acontece em uma viagem empreendida pelo Príncipe Dom Pedro I com a finalidade de unir o Brasil, numa época de dificuldades políticas com a corte de Portugal. Quase duzentos anos depois, a data promete protagonizar uma das maiores manifestações em favor da democracia, anunciada pelos apoiadores do atual governo, num momento de forte tensão entre os Poderes da República.

Decisiva para o destino que foi assumido pelo Brasil, a referida viagem ocorreu do Rio de Janeiro até São Paulo. Segundo o historiador Diego Amaro de Almeida, “não foi fácil para o jovem príncipe e futuro imperador do Brasil enfrentar os diferentes caminhos que os membros da elite do país pretendiam trilhar. As influências externas eram muitas, mas os brasileiros, a ampla maioria, não desejavam voltar a ser colônia de Portugal”. Parte dessa elite, formada por portugueses, queriam que Dom Pedro voltasse à Portugal e que todas as leis que davam algum tipo de emancipação ao Brasil caíssem por terra. Outro grupo defendia um Brasil independente, mas fragmentado, com as províncias se tornando repúblicas. E por fim, um terceiro grupo, liderado por José Bonifácio, defendia o que veio a ocorrer: um Brasil independente de Portugal e de regime monárquico constitucional. Neste regime, o soberano não toma decisões segundo a sua própria vontade, mas segundo as leis da constituição estabelecida.

Independente das opiniões individuais que temos nos dias de hoje, acerca do rumo que o Brasil deveria ter seguido na época, a independência do Brasil da forma como ocorreu, parece ter sido providencial. Com toda a pressão que o jovem príncipe suportava na época, segundo nos conta a história, ele herdava um país com incontáveis problemas, fossem financeiros, políticos ou sociais, o que conhecemos muito bem até os dias de hoje. Por isso, ele precisava de toda a ajuda necessária, fosse da terra ou do céu, e não tardou em pedir a assistência divina. Na viagem, Dom Pedro visitou a então Capela de Nossa Senhora Aparecida, em Guaratinguetá, que abrigava a imagem da santa encontrada em 1717 na região, e que mais tarde seria proclamada a padroeira do Brasil. Rezou e fez uma promessa aos pés da imagem de Aparecida: se ele conseguisse resolver os graves problemas políticos que o país vinha enfrentando, ele lhe consagraria o Brasil. Apenas dezesseis dias depois dessa promessa, Dom Pedro exclama a mais famosa de suas frases “Independência ou morte!” para o futuro do Brasil.

Vale ressaltar, que enquanto o príncipe se empenhava pelo país no objetivo de unir a nação, também havia uma mulher no comando para libertar o Brasil, a Princesa Leopoldina. Em uma de suas cartas, a princesa escreveu que “o Brasil é grande demais, poderoso e, conhecendo sua força política, incapaz de ser colônia de uma corte pequena” e que “o nobre espírito do povo brasileiro se mostrou de todas as formas possíveis e seria a maior ingratidão e erro político crassíssimo se nosso empenho não fosse manter e fomentar a sensata liberdade e consciência de força e grandeza deste lindo e próspero reino, que nunca poderá ser subjugado pela Europa”.

Como vemos, o destino do país se traçou pela sua nobreza, não apenas por aquela que vinha dos títulos, mas também pela nobreza de espírito, que alçou, além dos recursos disponíveis, à vocação religiosa que o nosso Brasil possui. Que essa efeméride possa nos ajudar a entender o cenário político atual, a manifestar a defesa da nossa liberdade e a pedir aos céus que proteja o destino do nosso Brasil, a Terra da Vera Cruz.

Um cordial abraço!

Ingrid Ulbrich
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