(Imagem Ilustrativa)

Certa vez alguém muito próximo me perguntou: “Por que você quer tanto que eu acredite em Deus?” Eu respondi “Porque amo você!” Ela ficou a me olhar, com uma expressão que se misturava entre surpresa e incompreensão. No seu desconhecimento do que eu estava tentando explicar, ela replicou a minha resposta ainda mais incrédula, mas segurando uma ponta de sorriso que teimava em surgir no canto da sua boca: “O que isso tem a ver?” a que eu disse: ”Tudo!”

Quando professamos diferentes credos ou até mesmo quando não temos credo nenhum, é difícil entender os motivos que levam as pessoas a crer naquilo que creem. Como tudo na vida, é apenas o conhecimento que assenta as dúvidas, é a verdade única e não a relativa que traz coerência e orienta nossas decisões e valores. Na fé cristã, o centro da doutrina está em Cristo que realizou a salvação por amor à humanidade. Um amor destinado a mim e a você levado até as últimas consequências. Para quem crê, esta é uma verdade absoluta que impulsiona a seguir seu Evangelho, pois Cristo disse que para chegar ao Pai, é Ele mesmo o Caminho, a Verdade e a Vida.

Esse é o “Tudo!” de minha resposta. É o “tudo a ver” com o amor de Deus por nós e da nossa união com Ele após partirmos desta vida terrena. Como não desejar que todos acreditem nesse Deus que realizou o maior amor da história? Como não querer que todas as almas sejam salvas, principalmente aquelas as quais mais amo? Portanto, seria irracional não desejar, assim como é inconcebível impor.

Nesse ponto, chego a questão do ecumenismo, diálogo entre as igrejas cristãs. As Campanhas da Fraternidade são ecumênicas a cada cinco anos, como é agora em 2021. Foi no ano de 1961 que três padres responsáveis pela Caritas Brasileira idealizaram uma campanha para arrecadar fundos a atividades assistenciais. Sendo chamada de Campanha da Fraternidade, teve a sua primeira versão realizada em Natal no Rio Grande do Norte em 1962. Da iniciativa daqueles padres até hoje passaram-se sessenta anos que em toda quaresma, a CF passa sua mensagem, trazendo principalmente os problemas sociais, com uma abordagem bastante crítica dos problemas do seu tempo. Nesse ponto, entendo que o foco desse tempo quaresmal deve estar naquilo que ele nos propõe: o fortalecimento da nossa alma através de forte oração e penitência, onde a caridade é consequência como virtude que nos leva espontaneamente de forma amorosa aos irmãos menos favorecidos.

Em qualquer diálogo, respeito é a palavra de destaque. Papa Bento XVI sempre dizia que é sobre a razão que a fé cristã deve ser edificada para saber o que permanece válido e o que pode ou não ser mudado, o que nos conduzirá naturalmente a Deus. Portanto, respeito não significa abrir mão da fé para incorporar algo de outra religião, principalmente se esse algo for um desvalor ou conflitante. Nesse caso, a verdade será suprimida e pode virar uma miscelânea de ideias sem sentido. Porque “a fé não é só uma teoria, mas sim uma realidade existente” Papa Bento XVI.

Que as efemérides da vida nos ajudem a construir dias sempre melhores!

Um cordial abraço!

Ingrid Ulbrich
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