Perfil

Uma vez craque sempre craque: o atleta são-mateuense que fez da sua história a história de uma cidade inteira

Hoje com quase 61 anos, vive em suas memórias cada uma das partidas que disputou. Suas histórias vão além das entrelinhas dessa edição do jornal, pois de tantos fatos, jogos disputados e gols, um livro seria pouco. (Foto: Alexandre Müller/Gazeta Informativa)

Quem viveu entre os anos de 1970 e 1990 em São Mateus do Sul e região, pôde ver com os próprios olhos o maior craque são-mateuense de futebol de todos os tempos. Jogador de garra e dono de um futebol sem igual, ele era destaque nos gramados e nas quadras.

A equipe da Gazeta Informativa teve a honra de ser recebida com exclusividade pelo ex-atleta, Romel Jorge Pugsley Prohmann, ou como popularmente é conhecido até hoje, Rominho, que abriu as portas de sua residência e de seu coração. A partir de agora você conhecerá o maior jogador de futebol de São Mateus do Sul e região. E aqueles que o viram jogar, irão viver mais uma vez a sua história.

Nascido às margens do Rio Iguaçu pelas mãos da Dona Estefânia, o filho mais novo do casal Bruno Prohmann e Zoé Luiza Prohmann que também eram pais de Zalythéa, Arthur e Dulcinéia, já demonstrava desde pequeno que sua trajetória de vida estaria intimamente ligada à paixão nacional, pois o futebol aparentemente já nasceu contigo.

Ainda pequenino já batia bola com os amigos, nos campinhos da região e dentro da própria casa. Ele era apaixonado por jogar e assistir aos jogos, inclusive faltava aulas para acompanhar várias partidas. Em meio aos joguinhos de bola aqui e ali, foi mostrando seu talento e enchendo os olhos das pessoas que o viam em campo. Com o passar do tempo, aprimorando seu futebol, acabou despertando o interesse dos times da região.

O início de tudo

Quando chegou aos seus 15 anos, recebeu o convite do amigo Celso Siqueira para jogar no time da Lagoa da Cruz, no município de Antonio Olinto, a fim de disputar um torneio na cidade da Lapa. E lá foi a promessa são-mateuense, defender outro município.

Ainda jovem, contou com a autorização dos pais, que sempre o apoiaram em todos os momentos e o incentivaram para a prática esportiva. O pequeno Rominho, que desde aquela época media não mais de 1,70 metros de altura, começou sua trajetória em meio aos experientes atletas da equipe e não fez por menos, mostrou garra desde o início estufando as redes dos adversários.

Naquela época, mesmo sem as facilidades de comunicação existentes hoje em dia, o talento do filho mais novo de Bruno Prohmann, percorreu a cidade inteira e chegou aos ouvidos de um dos personagens mais importantes da história de Rominho, o dirigente esportivo Edison Carlos Schramm, um dos maiores incentivadores do futebol no sul paranaense.

Rominho lembra que Schramm assistiu algumas de suas partidas e se dirigiu à Celso Siqueira, dirigente do time da Lagoa e lhe fez uma proposta para levar seu atleta, isso entre os anos de 1973 e 1974. Nessa proposta, supostamente estariam envolvidos dois atletas do clube são-mateuense, em uma troca, que possivelmente não foi acordada.

Na foto, Rominho ostenta a faixa de campeão do ano de 1984 quando atuou pelo Juventus Esporte Club. (Arquivo Pessoal)

O Atlético São-mateuense

Já com 16 anos, Rominho inicia um dos capítulos de sua vida e esse talvez possa ter sido o mais importante de sua história. Ao “assinar” com o clube Atlético São-mateuense e assumir a titularidade no time desde o primeiro jogo, ele passou a vestir a tradicional camisa 10 rubro negra.

Jogando como meia esquerda em um dos mais consagrados clubes da região, que teve como dirigente o persistente lutador e defensor do esporte, o saudoso Edison Carlos Schramm, Rominho fez e deu história ao longo dos quase 20 anos defendendo o time.

Craque nos gramados e nas quadras, Rominho conta que com toda a certeza fez mais de 1.000 gols em sua carreira. E não há motivos para se duvidar dele, basta conversar com aqueles que o viram jogar e testemunharam os gols de todos os jeitos e estilos.

Jogador que disputou dezenas de campeonatos municipais, regionais e em outras cidades, tanto no campo como nas quadras, Rominho foi campeão na grande maioria das vezes e além de levantar o título, sempre conquistou a artilharia com uma chuva de gols. “Sempre mais de 20”, garante.

Além do atlético São-mateuense, onde foi heptacampeão da liga de futebol da cidade como artilheiro em todas as edições, Rominho defendeu as cores de vários outros clubes de São Mateus do Sul e região, dentre: o Independente, Divisa, Juventus, Guarani, Costebel, Pontilhão, Ouro Verde, Posto Triângulo, Operário Zampier e por aí vai. Titular em todos os times, ele era o cobrador oficial de pênaltis e faltas.

O amor pelo Coritiba Foot Ball Club

Torcedor do Coritiba Foot Ball Club, Rominho conta que essa paixão foi motivada desde criança por incentivo do pai e de seu irmão Arthur, que eram extremamente ligados ao clube alviverde da capital. Rominho afirma que lembra da maioria dos jogadores que atuaram pelo clube desde 1968, sempre acompanhando os jogos pelas ondas do rádio.

Em 1985 recorda-se de todas as partidas que o Coritiba disputou pelo campeonato brasileiro às quartas-feiras, pois aos finais de semana tinha seu compromisso com o time do município. Ele assistiu no Estádio Couto Pereira, partidas com o São Paulo, Atlético Mineiro, Joinville. Também foi o sortudo que viu o primeiro time paranaense a ser campeão brasileiro.

Em 1976, Rominho conta que o time titular do Coritiba veio à São Mateus do Sul disputar um amistoso de treinamento de seus jogadores, tudo viabilizado pelo saudoso Schramm. Naquela oportunidade, ele jogou como ponta direita e teve pela frente o lateral esquerdo do clube alviverde, Nilo. “Eu confesso que estava tremendo de medo e ele veio até mim e disse que eu poderia jogar tranquilo que ele não iria encostar em mim.”

O jogo eternizado em sua memória teve o placar final de 8 gols a favor da equipe do Coxa e o gol de honra do clube são-mateuense saiu de seus pés em um dos maiores goleiros do Coritiba da história, o goleirão Jairo.

Em terras cariocas

Certa vez, os caminhos o levaram a participar de um teste no Rio de Janeiro, pelo clube do Volta Redonda que na época já disputava a primeira divisão do futebol carioca e encantou os dirigentes do Voltaço, como era conhecido o time. Recebeu várias propostas e ligações de incentivo para mudar-se ao Rio e mais uma vez persistiu em ficar na Terra do Mate.

Um jogador guerreiro, raiz, que lutava por todos os lances e não temia emprenhar-se no gramado dando seu melhor a cada jogo. Dono de uma personalidade forte, muitas vezes era advertido pela arbitragem e acima de tudo, não aceitava provocações, o que talvez fosse um dos seus únicos defeitos, que lhe proporcionou vários cartões ao longo da carreira. “Eu ficava sempre quietinho durante o jogo, mas bastava me provocarem que eu ficava muito bravo, principalmente com a torcida. Mas sempre respondi à altura, com gols e oferecia àqueles que me criticavam.”

A reta final de sua carreira no futebol iniciou em 1992, aos 37 anos, quando já estava na reserva do Clube Atlético São-mateuense e segundo ele, dando oportunidade aos mais novos. A mente queria, mas o corpo não obedecia. Oficialmente encerrou sua carreira futebolística defendendo o clube Ouro Verde da comunidade da Estiva em um dos últimos campeonatos municipais. Já atuando em posição diferenciada daquela que o revelou, devido à idade, ajudando na parte defensiva do time.

O ano de 1993

O ano mais importante de sua vida, segundo Rominho, começou a ser regido logo no dia 8 de janeiro de 1993, data a qual se casou com a jovem Glacira Prohmann e mais um capítulo de sua história de vida iniciou, agora com o início da formação de sua família. O casal tão logo teve o primeiro fruto do amor, com a chegada de Ana Carolina, em 20 de setembro de 1994, e 4 anos depois, o pequeno Guilherme, no dia 16 de junho de 1998.

Em 1993, Rominho também iniciou suas atividades na Sanepar, onde atuou durante anos, ocupando várias funções. Nesse mesmo período, conta que iniciaram algumas dores em sua perna esquerda. Depois de alguns empenhos médicos a dor passou, mas retornou em 2001, diminuindo sua mobilidade. Até hoje a medicina não desvendou qual é o seu problema, e em 2006, se aposentou das atividades da Sanepar após 14 anos.

Hoje, prestes a completar 61 anos, Rominho ao respirar fundo afirma a equipe de reportagem da Gazeta Informativa: “O futebol foi a minha vida.”

Ele ainda enaltece que quer prestigiar a reinauguração de sua segunda casa, onde fez centenas de gols. “Quero estar vivo para ver o Estádio Olívio Wolff do Amaral de pé novamente e sediando jogos.”

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Colaborador

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